Por que sua empresa precisa de um ERP e qual será o futuro desse sistema?

Desde o início da década de 1990, o sistema ERP passou a ser extremamente presente na maioria das empresas. A sigla vem do inglês Enterprise Resource Planning (planejamento de recurso corporativo) e representa os sistemas de gestão dos mais variados mercados.

Ao longo dos anos, eles foram sofrendo transformações na forma de operar dentro das empresas. O sistema era instalado em grandes mainframes, passou para os servidores, começou a incorporar diversas áreas da empresa, foi para a nuvem e começou a ter representação gráfica na tela. Enfim, evoluiu conforme a tecnologia também ia evoluindo.

Qual a importância de um ERP em uma empresa?

Os sistemas acabam exercendo uma importância fundamental para a grande maioria das empresas que os utilizam. De acordo com pesquisa do Portal ERP em 2016, quase metade  (47%) das empresas entrevistadas investiram mais de R$ 100 mil nos últimos 2 anos entre implantação, treinamento, customização, manutenção e licenças. Essa proporção aumentou em relação a 2015, quando a porcentagem era de 43%. Ou seja, com o passar dos anos as empresas estão investindo mais em softwares de gestão.

A procura pelo software de gestão tem vários motivos distintos. No mercado norte-americano, o que mais se destaca é de melhorar a performance no mercado (17%), de acordo com pesquisa da Panorama Consulting. Em seguida, vem facilitar a vida dos funcionários (14%) e garantir a conformidade dos relatórios (14%).

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“O ERP traz um ganho em agilidade, confiabilidade e melhoria nos controles”, atenta Fábio Túlio Felippe, CEO da Jiva, ERP com mais de 2.500 clientes em todo o Brasil. “Se você quer automatizar alguma parte da sua gestão, ele deixa de ser opcional e passa a ser mandatório. O ganho vai ser no bolso mesmo”.

Um dos principais objetivos do ERP é aumentar a produtividade das pessoas e diminuir efetivamente o retrabalho. “Ele vai reduzir o erro humano, problemas de digitação e falhas de seguranças. As coisas acabam sendo bem mais rápidas”, explicou Valério Ferreira, CEO da W12, sistema de gestão voltado para academias. “Imagina o tanto de problema que uma empresa que usa planilhas para cima e para baixo tem! O ERP deixa isso tudo bem amarrado e faz com que as coisas sejam bem-feitas”.

O que precisa melhorar?

Entretanto, apesar de 77% do mercado brasileiro estar satisfeito com os ERPs (de acordo com a pesquisa do portal ERP), ainda há muito a se caminhar. Quase metade (47%) tem como foco de investimento em tecnologias que propiciem tomadas de decisão mais assertivas, divididos em extração e análise de dados, através de BI, big data e analytics (25%), e indicadores estratégicos (22%).

“A inteligência embarcada nos ERPs tem que aumentar”, comenta Fábio. “Hoje os sistemas estão integrados com muito mais áreas de toda a empresa. A maioria deles foi criada para servir a empresa de forma reativa. A ideia é que, daqui pra frente, com o maior uso de machine learning e inteligência artificial o ERP agregue mais valor além daquele que está no seu sistema e trará maior sucesso para o cliente”.

Valério acredita que a usabilidade tem de melhorar muito ainda. “O ERP é uma indústria que traz um legado de falta de humanização. Durante anos, eles têm resolvido problemas levando você de A até B, mas continuam esquecendo das pessoas que estão no meio do processo”, opinou. “O funcionário que utiliza o sistema vai ter que usá-lo durante muitas horas seguidas! Não adianta fazer algo que seja extremamente difícil de compreender e que necessita de um onboarding longo. Pensa no Facebook e no Whatsapp. Você precisa que alguém o ensine como usar? Não. Por isso que o ERP tem de ser feito pensando em quem vai usar o sistema”.

Entretanto, Fábio ressalta que isso já evoluiu muito nos últimos anos. “Eu participei da mudança ERP nas últimas décadas. Já houve uma transformação muito grande, saímos das soluções de caracteres, passamos para os gráficos e hoje estamos na Web”, lembrou. “Há a integração com plataformas de bancos, pagamentos, reabastecimento. Há ainda muito para caminhar, mas já caminhamos bastante”.

A super personalização é importante

Outro fator importante é estar presente na maioria das áreas da empresa de maneira super personalizada. De acordo com pesquisa do Portal ERP, no mercado brasileiro, 79% das empresas precisaram de alguma adaptação do sistema para o modelo de negócios com 32% precisando de muitas. A pesquisa da Panorama Consulting aponta que no mercado norte-americano, 88% customiza o código do ERP que vem para ela.

Por isso, ERPs focados são importantes. Se o consumidor quer uma atuação personalizada, é importante ter um sistema com um segmento bem definido seja por modelo de negócios (como negócios recorrentes, por exemplo) ou atuação em um setor do mercado (como imobiliárias, agências de comunicação audiovisual, empresas educacionais, condomínios e SaaS).

Nesse caso, tanto Jiva quanto W12 estão bem posicionados. A primeira, mesmo atuando em vários segmentos, oferece um produto para empresas com demandas similares. Já a W12 atua no mercado fitness, como academias ou pequenos estúdios.

“A gente consegue se aprofundar e resolver boa parte da vida do gestor do ramo fitness e produzir soluções mais específicas para isso”, comentou. “Por isso uma das formas de crescimento que a W12 aplica está relacionada estar presente na maior parte da zona de lucro do cliente. Como somos bem especializados, conseguimos entender muito bem a dor do cliente e saná-la com aplicativos ou integrações mais baratas com outros parceiros”.  

Por isso, ambos acreditam que usabilidade, estar presente na maior parte das áreas das empresas, inteligência artificial e uma atuação mais estratégica serão importantes daqui para a frente. “Acredito muito em uma mudança mais disruptiva nos próximos anos”, concluiu Fábio.

Fábio e Valério são palestrantes do Superlógica Xperience 2018, maior evento de assinaturas e SaaS da América Latina. Amanda Camasmie, líder de marketing da Superlógica, e Heitor Facini, redator do blog da Superlógica, bateram um papo com eles sobre ERPs e o futuro do mercado.

Eles participam do 14º episódio da segunda temporada do Podcast do Xperience, que vai ao ar toda a quinta-feira até a data do evento. Não se esqueça de se inscrever no nosso Soundcloud e no iTunes, para receber com antecedência as novidades do podcast. Semana que vem, a entrevista será com Ricardo Corrêa, CEO da Ramper.

Podcast #Xperience S02E14 – Fábio Tulio Felippe e Valério Ferreira

O que você vai ouvir neste podcast:

1:30 – Fábio fala sobre os ganhos que um ERP traz para as empresas;

2:32 – “De uma forma geral, um ERP economiza tempo das pessoas”, Valério Ferreira;

4:23 – Valério destaca uma falta de humanização dos ERPs que não pensam no usuário final que vai utilizar;

5:44 –  O futuro do ERP é a humanização, pensando em resolver a pessoa que utiliza o sistema na outra ponta;

7:02 – Fábio ressalta a importância da integração do ERP com outros sistemas;

8:28 – Valério explica como a W12 atua vendendo apenas para academias;

9:30 – Atender um mercado é bom pois você consegue compreendê-lo de ponta a ponta. Mas é ruim pois existem tamanhos bem diferentes;

11:05 – Fábio explica que a Jiva atua em vários segmentos mas com a mesma complexidade. Isso facilita na hora da execução;

15:00 – Valério explica o case de uma operadora de crossfit que virou uma franquia após usar a W12;

16:26 – Fábio fala de três empresas: uma de gerenciamento de resíduos que reduziu o custo de manutenção de frotas em 12%, uma empresa que aumentou o faturamento em mais de 70% e uma distribuidora de cosméticos melhorou o processo de compra e colocando na plataforma;

20:10 – Valério explica como consegue expandir mesmo sendo um trabalho de nicho;

21:50 – Ele também fala como a W12 expandiu internacionalmente;

23:40 – O Fábio explica como funciona a venda de canais da Jiva que proporcionou um crescimento de mais de 1000 clientes em um ano;

28:50 – Valério acredita que os ERPs, no futuro, vão se beneficiar muito de inteligência artificial;

29:40 – O ERP também precisa melhorar muito em usabilidade, segundo ele;

30:45 – Ele também acredita que os ERPs tem melhores integrações;

33:00 – “Eu acredito numa disrupção maior do ERP, a Super Gestão”, comentou Fábio;

35:12 – Ambos compartilham os números das empresas;

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