Fundadores dos maiores softwares de condomínios discutem o futuro do mercado

O futuro do mercado condominial é foco de debate constante entre as empresas que atendem esse segmento. Quais são os próximos passos dos empreendedores diante das mudanças dos novos hábitos dos consumidores, rápido avanço das tecnologias e o surgimento de novos modelos de negócios? 

A disrupção causada pela transformação digital tornou-se preocupação para aqueles que operam com processos tradicionais. No entanto, as mudanças trazem oportunidades. 

Os administradores de condomínios agora têm acesso a mais soluções tecnológicas, ferramentas, aplicativos e novos serviços.  Todas com influência direta na capacidade das administradoras de competir com os novos negócios 100% digitais que estão surgindo.

Durante o Superlógica Xperience 2019, André Baldini, CEO da Superlógica, Ronaldo de Andrade, fundador da Base Software, e Cátia Moraes, CEO e sócia da GoSoft, compartilharam experiências para identificar quais serão as mudanças e como adotá-las de maneira inteligente no painel “Os maiores softwares de condomínios discutem o futuro do mercado”.

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O cenário da disrupção no mercado condominial

Enquanto alguns setores sentiram os efeitos da disrupção mais cedo, aqueles focados em habitação e administração de imóveis ainda estão no início desta transformação. A realidade do mercado mudou e está sendo influenciada pela constante velocidade de atualização no mundo da tecnologia.

Nos Estados Unidos, aconteceu da mesma maneira. Segundo texto publicado pela Forbes, em 2010 os investidores de capital de risco haviam injetado “apenas” U$33 milhões em Retechs – empresas de tecnologia na área de Real Estate. Em 2017, esse valor foi mais de 150 vezes maior, com investimento de cerca de U$5 bilhões.

Neste processo são identificados três estágios de surgimento e escala nos novos negócios. Inicialmente, entre o final dos anos 90 até o início desta década, a disrupção foi causada por serviços complementares, como softwares e marketplaces. Na segunda etapa, que acompanhamos hoje, foi o surgimento de players capazes de competir globalmente com as gigantes do ramo, às vezes causando dano – por exemplo, AirBnb, WeWork e Redfin.

Agora o mercado internacional se prepara para uma nova etapa, com foco em serviços complementares ancorados nos aportes vistos como indispensáveis para o futuro: Big Data, blockchain, internet das coisas, realidade virtual e inteligência artificial.

No Brasil, o processo ainda está se consolidando na fase número 2. Competidores estão entrando com força no mercado e galgando espaço no mercado.

Administradoras digitais são uma ameaça?

Em vista do cenário nacional e o observado no internacional, Cátia Moraes não hesita em dizer que as administradoras digitais são uma ameaça, inclusive às empresas de software. “Representam uma ameaça, sim, para nós desenvolvedores. Pois, uma vez que o impacto chega nos nossos clientes, com certeza tem relação com o nosso negócio. De uma forma bem exponencial, inclusive”.

Ronaldo ainda acrescentou que essa mudança não está só no âmbito econômico ou tecnológico. “Nós estamos falando agora de uma mudança de comportamento (dos consumidores). É algo que não tínhamos visto com essa intensidade que estamos percebendo agora”. 

Agora, destacando a influência direta para as administradoras, nota-se a necessidade de uma reinvenção sobre seus negócios. Algo que, necessariamente, deve partir de seus gestores.

Empreendimentos digitais já estão disponíveis no mercado e a tendência é de que sua valorização culmine na redução de custos para os condomínios. Há também o impacto trazido “por um modelo de negócio diferente que vai ao encontro do perfil de cliente que esteja esperando uma iniciativa digital”.

No entanto, o fundador da Base Software ressalta a importância de prestar a atenção nas oportunidades geradas com esse novo ambiente. “Está ao alcance da administradora tradicional se transformar e digitalizar seus serviços. E até aumentar o seu horizonte para atender clientes em outras localidades”.

O mediador André Baldini também acrescentou. “Nós fazemos software, mas aquilo que entregamos, no final das contas, é a commodity. São vocês, as pessoas dentro das administradora, que vão fazer a diferença efetiva”.



Os desafios para enfrentar as mudanças

Os caminhos para transformar um negócio tradicional, a ponto de poder competir com os que já nascem tecnológicos, não é simples. Isso vale tanto para as administradoras de condomínios quanto para os softwares.

Segundo Ronaldo de Andrade, o grande desafio para as administradoras é saber como continuar prestando o serviço e se rentabilizar mais. E ao mesmo tempo olhar para frente com a mentalidade: “se eu ficar apenas parado, meu negócio pode morrer“. 

“Nós vemos até os governos se preocupando com isso, como Governo 4.0. Por isso, é importante buscar uma quebra de paradigmas para buscar oportunidades”, complementa a CEO da GoSoft.

Para alimentar esse ambiente em seu próprio negócio, será necessário que os líderes e gestores entendam seu papel para contagiar os demais funcionários, fornecedores e demais envolvidos no mercado. “A mudança só poderá acontecer através das pessoas”.

Como serão as administradoras do futuro?

As mudanças na área da tecnologia são rápidas e constantes, por isso é tão difícil acompanhá-las. Mesmo assim, mantendo um olhar atento às tendências é possível “pescar” características em comum que serão compartilhadas pelos negócios do futuro.

“Essa administradora terá a parte tecnológica que possa oferecer serviços digitais para seus clientes. Ela também criará perfis de clientes, os quais ela atenderá de determinada forma, com precificação adequada e diretamente pela plataforma, sem o contato humano”, prevê Cátia Moraes.

Para ela, por outro lado, essa automatização e otimização dos serviços proporcionará à empresa a possibilidade de treinar sua equipe para personalizar aspectos do seu trabalho e atendimento.

Outra previsão feita pelos painelistas foi de que “os serviços hoje considerados a base da operação estão cada vez mais virando commodities como: cobrança, pagamento e folha de pagamento”.

“O que realmente marcará o serviço prestado pela administradora de condomínios no futuro será a capacidade de realmente agregar valor. O resto é igual para todo mundo. Essa oferta de serviços diferentes que realmente agreguem valor será o diferencial”, destaca Ronaldo. 

Sua fala ainda é complementada por Cátia, que enxerga na automatização de processos a “oportunidade de mostrar valor não só para o síndico, mas ao próprio condômino”.

Como será a composição da receita?

Naturalmente, ocorrerá uma transformação na maneira como os negócios operam e ofertam produtos. Também veremos uma mudança nas formas de obter receita.

Como Ronaldo ressaltou, o que é oferecido atualmente não será mais o diferencial, afinal são itens comuns a todas as outras administradoras. As novas fontes de renda serão marcadas pela diversificação de serviços personalizados e precificação em pacotes diferentes, de acordo com os interesses dos clientes. Além disso, teremos valores agregados em benefícios oferecidos a um condomínio, como seguros, jardinagem e aplicativos.

“É necessário descobrir novas fontes de arrecadação. Como a possibilidade de operar como uma agência bancária para o condomínio”, destaca Ronaldo.

Tudo o que cerca o condomínio precisa ser visto como um ecossistema. Nele, temos os proprietários, síndicos, inquilinos, colaboradores, fornecedores e muitas outras partes envolvidas. E a administradora, também componente desse sistema, é o melhor canal de distribuição para todos.

Neste ambiente também há unanimidade em acreditar que “além de novos serviços, também terão novas formas de oferecer aqueles que já eram comuns”. Isso com transparência e com adesão em diversos canais como aplicativos, internet, marketing entre outros.

O que os condôminos esperam desse futuro

Enfim, as mudanças não cercam apenas a relação de negócio entre a administradora e seus condomínios. Os moradores também estão no centro da disrupção. São eles quem estão desenvolvendo novos hábitos, procurando novas soluções e cada vez mais questionando sobre o valor agregado sobre suas despesas.

“Se você não agrega valor para seus clientes, a coisa vai ficar bem complicada”, sinalizou o moderador do painel, André Baldini.

Por isso, é necessário entender quais são as necessidades daqueles que sentirão ativamente a presença de seu negócio no dia a dia. E seus interesses se misturam com seus próprios motivos para optar em viver em um condomínio.

Cátia Moraes elencou os principais valores esperados por esse indivíduos. “Eles querem segurança, facilidade e conveniência no seu dia a dia, uma boa convivência com seus vizinhos e um bom preço”.

As rotinas dos condôminos hoje são divididas entre trabalho, locomoção, assuntos pessoais e lazer. Em uma situação ideal, eles buscam algo que otimize esse tempo tão escasso, muitas vezes algo que possa ser resolvido remotamente.

E, principalmente, eles precisam ter percepção de valor sobre o serviço. Não adianta mais a administradora passar desapercebida. 

Pode-se dizer que o interesse deles é “morar em um condomínio com a conveniência de um hotel”.

Sobre a Superlógica

A Superlógica desenvolve o software de gestão (ERP) líder do mercado brasileiro para empresas de serviço recorrente. Somos referência em economia da recorrência e atuamos nos mercados de SaaS e Assinaturas, Condomínios, Imobiliárias e Educação.

A Superlógica também realiza o Superlógica Xperience, maior evento sobre a economia da recorrência da América Latina, e o Superlógica Next, evento que apresenta tendências e inovações do mercado condominial.

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