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A novela WhatsApp Payments continua

Por Danilo Camargo, Product Manager e Especialista em Open Banking no PJBank

No dia 15 de junho de 2020, o WhatsApp anunciou um novo recurso para seu aplicativo, chamado WhatsApp Pagamentos, ou WhatsApp Payments. Essa funcionalidade tem o objetivo de permitir que seus usuários possam transferir dinheiro entre si de forma fácil e rápida, tanto em contas pessoais quanto comerciais. 

Com isso, não seria necessário de entrar em qualquer outro aplicativo. Bastaria iniciar e finalizar a transação dentro da própria tela de conversa com a pessoa que deseja enviar qualquer valor.

Como funciona o WhatsApp Payments?

Inicialmente, cada usuário que deseja transferir valores via a nova funcionalidade terá a necessidade de configurar um cartão de crédito ou débito, podendo ser tanto bandeira Mastercard quanto Visa.

Em contrapartida, para receber valores via ferramenta, o usuário também precisará configurar sua conta bancária desejada para receber dentro da plataforma Facebook Pay. Inicialmente, apenas os bancos Nubank, Banco do Brasil e Sicredi (incluindo a conta digital Woop) estão liberados para recebimento pela ferramenta.


Passo a passo

A utilização da ferramenta é surpreendente, após esse início de configurações você precisará apenas: 

  • Acessar o chat com a pessoa ou instituição que deseja enviar dinheiro; 
  • Tocar no ícone do “clipe”, assim como quando precisa enviar algum tipo de documento, contato, localização, audio ou imagem; escolher a nova opção “Pagamento“;
  • Inserir o valor desejado – lembrando que se usar um cartão de débito, apenas os bancos liberados no momento são Nubank, BB e Sicredi).
  • E pronto! Basta aguardar um rápido processamento e o dinheiro já estará com o destinatário.

Lembrando que será possível enviar até R$ 1.000,00 por transação e receber até 20 transações por dia, respeitando o limite de R$ 5.000,00 por mês. Levando isso em conta podemos destacar que, salvo se houver um aumentos nesses limites, essa ferramenta será exclusivamente para uso pessoal.

Muita calma nessa hora!

Após o anúncio da nova funcionalidade pela empresa de Mark Zuckerberg, o Banco Central (BC), juntamente com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), solicitaram informações sobre o modelo de negócio aos participantes do acordo.

Enfim, antes mesmo da ferramenta chegar aos usuários, no dia 23 de junho de 2020, o BC e o Cade determinaram a suspensão integral do funcionamento do WhatsApp Pagamentos no Brasil. Com pena de multa diária de R$ 500.000,00 em caso de descumprimento.

“A motivação do BC para a decisão é preservar um adequado ambiente competitivo, que assegure o funcionamento de um sistema de pagamentos interoperável, rápido, seguro, transparente, aberto e barato”, informou o Banco Central em nota.

“O eventual início ou continuidade das operações sem a prévia análise do regulador poderia gerar danos irreparáveis ao SPB notadamente no que se refere à competição, eficiência e privacidade de dados”, finalizou a autarquia.

Entendendo o lado do Banco Central

Vi muitas reações opostas a decisão do Banco Central em minhas redes sociais. De fato, observando minimamente a comodidade e eficiência para a pessoa física no dia a dia, sem dúvidas essa ferramenta tem um grande potencial.

Porém, levando em conta a saúde do sistema financeiro nacional, são 120 milhões de usuários do WhatsApp no Brasil, representando cerca de 58% da população. Creio que nesse momento foi uma decisão precipitada lançar uma nova ferramenta com o poder de impactar todo o mercado financeiro do país sem uma mínima interação com o órgão regulador. A equipe do WhatsApp Pagamentos seguiu a risca o lema “mova-se rápido e quebre coisas” de Zuckerberg.

Em 2020, estamos presenciando diversos posicionamentos arrojados do Banco Central. Por exemplo, institui-se um grupo de trabalhos para implantação do Open Banking, colocando diversos tipos de instituições como grandes bancos, cooperativas, fintechs, marketplaces entre outras, para trabalharem juntas com o mesmo peso de responsabilidade.

Pix, os pagamentos instantâneos

Também o PIX, o novo sistema instantâneo de pagamentos e transferências, foi anunciado pelo Banco Central, no final de fevereiro, prometendo efetivar transações em até 10 segundos, 24h por dia, todos os dias da semana. Com datas super desafiadoras para implantação e funcionamento, focando exclusivamente na eficiência para o usuário final, podendo cortar altos valores de receitas que atualmente os grandes bancos e até mesmo fintechs ganham com operações bancárias.

Podemos observar que, realmente, o Banco Central não está preocupado em assegurar a supremacia dos grandes bancos. Muito pelo contrário, ele está atuando fortemente para a competição e melhores serviços financeiros no país, com a segurança que uma operação financeira necessita. 

A decisão de suspender a operação do WhatsApp Payments foi visando evitar tragar toda a economia nacional para dentro do aplicativo sem uma análise prévia dos possíveis riscos, não por algum tipo de conservadorismo do passado.

Final feliz para todos

Contudo, 6 dias após a decisão de suspensão do serviço, o Facebook, controlador do WhatsApp e a Cielo enviaram um pedido ao Cade, para que o tribunal reconsidere a decisão que suspendeu o funcionamento do WhatsApp Payments. Precisamos aguardar o posicionamento do Cade diante dessa nova tentativa, sem dúvidas essa novela ainda terá alguns capítulos pela frente.

Enfim, creio que o WhatsApp Pagamentos deva ser liberado, porém, se possível, aderindo ao PIX. Com isso, teríamos algo de muito valor, conciliando uma ferramenta inovadora e altamente acessível para toda a população com a regulação do sistema financeiro nacional.

Sobre a Superlógica

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