CFO e controller: quais as diferenças entre esses dois profissionais?

Você sabe qual a diferença entre o CFO e o controller?

A área financeira não é mais a mesma. Parte dessa mudança foi trazida pela necessidade de ir além dos números. Isso mesmo. Agora, é possível esperar de qualquer profissional de finanças uma contribuição muito mais ampla e estratégica dentro de uma organização.

Esse cenário se deve ao refinamento de atuação de dois cargos fundamentais: o CFO (Chief Financial Officer) e o controller.

Você sabe diferenciar o foco de cada um deles?

Para ficar mais fácil de entender, antes de falarmos sobre como um controller e um CFO podem ser parceiros estratégicos, é preciso contextualizar a trajetória ascendente por qual toda a empresa deve passar.

Escalar um negócio exigirá a especialização da área financeira

Se você está lendo esse texto, é provável que seja um empreendedor de um negócio recorrente. Se sua empresa estiver em estágio inicial, pode ser que você mesmo se encarregue da área financeira de ponta a ponta: contas a pagar, faturamento, cobrança, planejamento financeiro, controladoria e tesouraria.

Contudo, é preciso saber que a área financeira terá que evoluir de acordo com uma jornada de crescimento linear e previsível. À medida em que há ganho de escala, será necessário contar com uma determinada especialização dentro deste departamento.

Afinal, em algum momento do processo, você precisará tomar a decisão de se dedicar mais à estratégia de mercado e, assim, construir uma equipe de alta performance.

Já tratamos aqui sobre os 5 erros mais comuns na gestão financeira. Um deles acontece quando o gestor e sua equipe se perdem em meio a processos burocráticos. Se você quer ter a certeza de que está no caminho certo do crescimento, não deixe de ler também esse texto!

Voltando agora ao tema central deste post.

Identificar o perfil do profissional financeiro mais adequado para cada momento da jornada dependerá do objetivo do negócio. Ainda mais se você pretende organizar a casa para ficar apto a receber investimentos. Aí então, com toda a certeza, a figura de um controller e, posteriormente, de um CFO se farão necessárias.

Isso acontecerá pois, ao lado do CEO, cada um destes profissionais passa a desempenhar funções complementares, funcionando como uma espécie de braço-direito. Ou seja, ambos possuem missões com o objetivo de sustentar o crescimento de uma organização.

Vamos agora entender melhor os respectivos papéis e o estágio de maturidade do negócio ideal para iniciar cada uma dessas parcerias.


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O que faz um controller?

Um controller atua na coordenação da gestão financeira, econômica e patrimonial de uma empresa. Ele se envolve diretamente no cumprimento das metas do negócio e garante que a empresa tenha um desenvolvimento financeiro saudável e sustentável.

Na pauta do dia a dia está o levantamento e consolidação de informações e dados que irão auxiliar todos os departamentos e, também, irão fundamentar a tomada de decisão da diretoria.

A partir disso, um controller reúne em relatórios gerenciais estudos que indicam oportunidades no ambiente interno e externo. Dessa forma, ele garante que a execução dos recursos da empresa seja feita da forma mais rentável possível, mapeando e se preparando para os eventuais riscos.

Toda essa expertise deve ser usada para nortear estratégias do negócio como um todo, além de validar as ações táticas e embasar as funções operacionais. Um controller deve sempre oferecer subsídios para que a direção de uma empresa possa calcular a rota a seguir, indicando a viabilidade de investimentos.

Para isso, ele usa como base métricas, diagnósticos e indicadores de desempenho que validam o alinhamento do planejamento aos resultados da execução.

Com visão acurada, esse profissional deve estar sempre atento aos pontos de melhoria de cada projeto, com foco na lucratividade.

É evidente que a atuação de um controller está baseada na análise de números e eventos financeiros.

Mas não é só isso.

Ele precisa ser capaz de transformar números em informações viáveis e compreensíveis também aos profissionais que não atuam na área financeira. Apenas assim ele pode interagir de maneira produtiva e estabelecer bases sólidas para a trajetória de um negócio a curto, médio e longo prazo.

É por isso que é correto afirmar que a função de um profissional da área de finanças dentro de uma empresa é hoje muito mais ampla e excede os limites do planejamento orçamentário e da gestão financeira.

Em estruturas mais robustas, quando uma empresa já ganhou escala o suficiente, o controller reporta-se diretamente ao CFO.

E o que faz um CFO?

Uma das características mais acentuadas da posição de um CFO é a condução do futuro financeiro de uma empresa. Para isso, ele se torna o braço-direito do CEO no decorrer da jornada de crescimento. Nesse contexto, ele pode ser considerado como um “arquiteto da decisão”.

O CFO deve oferecer mais que uma análise cuidadosa dos números corporativos. E, para isso, ele deve liderar processos e pessoas, sempre com o foco no crescimento e eficiência.

Para se ter uma ideia da dimensão da atuação desse profissional, durante a edição do Superlógica Xperience, foi realizado um painel que discutiu em detalhes o papel de um CFO dentro de uma operação SaaS.

Durante a conversa, ficou claro que, embora esse profissional tenha uma função de autoridade no departamento financeiro, ele precisará conquistar aliados além dos limites da empresa.

Isso porque a figura do CFO ganha espaço na estruturação de uma governança que tem a missão de passar confiança aos potenciais acionistas.

Sim, isso mesmo! Se sua empresa pensa em abrir capital um dia, você precisará ter um CFO ao seu lado para lhe dar o respaldo necessário. Ele é uma peça-chave na preparação e sustentação da tese, nas análises e, principalmente, no relacionamento com os fundos de captação.

Parece contraditório, mas, para desempenhar todas essas atribuições, o CFO precisará delegar muitas das tarefas financeiras para o controller.

Dessa forma, a atuação do CFO se expande e passa a buscar um entendimento holístico do negócio, incluindo as projeções de mercado dentro de um sistema macro e microeconômico.

Mas, como dissemos acima, a atuação desse profissional é abrangente – por isso, ele deve compreender também sobre os anseios e desejos do cliente, colocando em primeiro lugar a manutenção desse relacionamento para a sustentabilidade do negócio.

É importante também não confundir um CFO com um conselheiro. Ele vai além disso, tendo como mantra “converter dados em ações”.

É dele que tem que vir as orientações objetivas acerca da saúde financeira e operacional da empresa, sobre o retorno dos investimentos feitos e, consequentemente, sobre a necessidade de capital.

A formação deste um profissional pode ser variada. Em muitos casos, seu background vai além das finanças, podendo vir de fontes como recursos humanos, administração e operações.

Qual a diferença entre controller e CFO?

Agora que vimos as minúcias das atribuições do Controller e do CFO vamos ver uma comparação entre as habilidades e funções de cada profissional.


CFO Controller
Com uma percepção generalista dos negócios da empresa, o CFO é um influenciador e traz clareza à visão do CEO Visão detalhada sobre a área financeira e aperfeiçoamento dos controles fiscal e contábil
Relacionamento amplo com todas os departamentos internos e investidores Apoio a todas as áreas da empresa no sentido de acompanhar a equação entre o planejamento previsto e realizado
Especialista em criar uma ponte de entendimento entre as informações financeiras e as demais áreas da empresa Atuação na elaboração de relatórios gerenciais para apreciação da diretoria, que posteriormente embasaram as decisões do negócio
Entendimento das operações da empresa de forma holística para auxiliar na melhor gestão financeira de cada área com análise de oportunidades e potenciais riscos de operação Controle absoluto dos pormenores financeiros. Olhar especializado para áreas como controladoria, financeira e contabilidade
Necessidade de atualização constante. Conhecimento de outros idiomas, boa comunicação e desenvoltura no ambiente de negócios completam o perfil desejado desse profissional Necessidade de atualização constante com um foco mais definido para as áreas de conhecimento relacionadas como administração de empresas, ciências contábeis ou economia
Capacidade de gestar processos, operações e pessoas Envolvimento nos detalhes das operações financeiras, consolidando e interpretando dados
Fornece todo o apoio necessário aos departamentos para o cumprimento das metas da empresa de curto, médio e longo prazo Com grande background financeiro, coordena a gestão econômica, financeira e patrimonial
Analisa o desempenho mercadológico da empresa de forma global e conduz a organização no cumprimento do planejamento estratégico tático e operacional Analisa os resultados financeiros e contábeis da empresa e ajuda a organização no cumprimento do planejamento estratégico, tático e operacional

Quando contratar um controller ou um CFO?

Dentro da escalada de crescimento, não existe um momento “certo” para contratar um controller e um CFO. Como experiência de mercado, muitos gestores concordam que uma empresa, assim que tiver caixa para isso, deve contratar um profissional especializado na área financeira.

Isso irá antecipar e evitar vários problemas que acontecem no início da jornada de um negócio. Essa estratégia se torna ainda mais válida quando dentro do time de sócios há alguém com expertise financeira capaz de levar a empresa adiante, no mínimo, até o ponto em que haverá a necessidade de elevar o nível de especialização.

Então, quando sua empresa precisará de um controller ou de um CFO?

Bom, a decisão é de cada gestor. Mas, para ajudar a entender melhor o contexto em que cada profissional se enquadra, veja um resumo rápido:

  • O controller tem uma função mais voltada para área contábil e controles internos;
  • O CFO tem uma visão e função mais estratégica e deve olhar toda área financeira, além da parte legal/jurídica, pessoal e tecnológica.

Preparando a empresa para receber investimentos

O ideal é que uma empresa que entenda que receber capital externo fará sentido para a estratégia do negócio tenha um controller ou um head de finanças assim que começar a tracionar. Ou seja: passar pela série A, com algo em torno de 100 mil de MRR (receita recorrente mensal) e taxas de crescimento de dois dígitos ao mês.

Nesse estágio, o profissional financeiro terá como desafio a organização da governança básica, como fluxo de caixa, métricas, conciliações contábeis, orçamento etc.

Já o CFO tem uma posição mais estratégica, típica de série B. Nessa fase, o profissional de finanças terá que desenvolver processos mais robustos e ajudar a empresa a trabalhar melhor com o capital e, assim, ultrapassar a barreira dos 10 milhões de receita anual (ARR) com mais facilidade.

Como missão, o CFO deverá trazer um networking prévio junto aos fundos de investimento, ter conhecimento em rodadas maiores e, potencialmente, oferecer background de IPO.

Para isso, ele deverá assegurar que o plano estratégico tenha fundamentos financeiros sólidos e que não haja premissas que sejam muito arriscadas ou que estejam sem critérios estruturados.

O CFO também poderá atuar também como um porta-voz da empresa para passar credibilidade e solidez aos investidores. Por isso, uma experiência sólida em outras empresas de sucesso é fundamental para ser credenciado como um bom CFO.




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