Locação de imóveis

Mercado de locação de imóveis: qual o futuro dele?

Muito tem se falado em transformação digital, que vem impactando muitos mercados como o de mobilidade urbana e o delivery de comida. Mais recentemente, tem entrado em pauta a atuação das imobiliárias digitais, mudando a noção do mercado de locação de imóveis. Entretanto, o que empresas mais tradicionais não se atentam é que a grande maioria delas já são empresas de tecnologia. 

“97% da intenção de compra de qualquer mercado começa on-line”, afirmou Ernani Assis, vice presidente de novos negócios no Grupo Zap. “Nos Estados Unidos, todas as empresas do ramo imobiliário são consideradas empresas de tecnologia!”. 

Ernani veio ao Superlógica Xperience 2019 apresentar a palestra “Diferenças da locação entre o Brasil e outros países”, mostrando, principalmente, a diferença do mercado de aluguel de imóveis nacional para o dos Estados Unidos e qual vai ser o futuro dele. Você pode conferi-la no vídeo abaixo ou durante todo o artigo.

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Como funciona o mercado de locação nos Estados Unidos?

As diferenças começam, segundo ele, na organização das informações. “Nos Estados Unidos, com um clique, você tem acesso a todos os dados necessários para realizar uma transação imobiliária”. 

Além disso, o formato também é diferente. Os corretores imobiliários cuidam apenas das transações imobiliárias e a própria imobiliária encerra a sua participação no momento inicial e no fechamento do contrato. “Lá existe a função dos property managements, que funcionam em uma espécie de mistura entre administração patrimonial, condominial e hospitalidade”. 

Nesse modelo, ela passa atuar em:

  • Recebimento do aluguel residencial;
  • Inspeção na propriedade;
  • Manutenção;
  • Reparos;
  • Hipoteca;
  • Segurança a depósitos;
  • Leasing;
  • Serviço de contabilidade;
  • Seguros.



“Isso traz uma proposição de valor verdadeiro e garante uma retenção de 87% nos serviços”, ressaltou Ernani. “Os proprietários não trocam de administradoras”. 

O fluxo, então, fica assim:

  1. Locador procura corretor para oferecer imóvel;
  2. Corretor procura imobiliária;
  3. Imobiliária faz anúncio no marketplace, que chega no locatário;
  4. Assim que fechado o contrato, a imobiliária entra em contato com a property managment.

“Ao todo, isso vai levar 2 horas e 30 minutos para ser fechado”, informou Ernani. “O diferencial competitivo deles é a conveniência e não simplesmente seguro fiança”. 

Qual a situação atual do mercado de locação de imóveis no mundo? 

Segundo Ernani, assim como no Brasil, existe uma alta da chamada “economia colaborativa” em conjunto da economia da recorrência. Mas ambas já existiam anteriormente. 

“O mercado imobiliário de locações não para de crescer pois as novas gerações não querem comprar uma residência para si e sim dividir com outras pessoas”, lembrou. “Isso sempre existiu, não tem nada de novo. O conceito de partilha está aí há séculos. A diferença é que agora a tecnologia alavancou esse processo e o organizou”. 

Ao todo, segundo dados que ele levou, esse mercado vem movimentando US$ 15 bilhões ao redor do mundo. “A expectativa é que esse valor cresça 18.6% em 2019”. Dessa maneira, hoje, o aluguel é mais procurado que a compra.

As diferenças entre o comportamento das gerações

Hoje, millennials somados com a geração Z buscam mais imóveis para locação online que os baby boomers junto com a geração X (55% contra 45%, segundo dados apresentados por Ernani). Mas qual a diferença entre elas?

Segundo Ernani, a geração X e os baby boomers (nascidos entre 1960 e 1980):

  • Queriam imóvel como patrimônio;
  • Buscam casas extremamente confortáveis;
  • Imóveis residenciais maiores;
  • Bairros valorizados e de fácil acesso;
  • Maior seletividade e burocracia.

Os millennials:

  • Não criam raízes;
  • Focam na locação de imóveis;
  • Procuram propriedades menores.

Os membros da geração Z:

  • Não usam carros;
  • Não querem endereço fixo;
  • Não querem morar sozinhas e compartilham tudo.

O que essas diferenças têm ocasionado?

A mudança no comportamento e na forma como as pessoas consomem produtos imobiliários também vêm alterando como o mercado vem se portando. Segundo dados revelados por Ernani, até 2007, pouco antes da crise que provocou o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, do total de transações:

  • 35% eram locações comerciais;
  • 41% eram locações residenciais;
  • 24% eram locações temporárias. 

No ano de 2018, do total de transações:

  • 35% eram locações comerciais;
  • 26% eram locações residenciais;
  • 39% era de locações temporárias/compartilhadas.

“O comportamento do usuário mudou e, nos próximos anos, vai mudar ainda mais”, afirmou Ernani. “As pessoas estão adotando a economia compartilhada no mercado de locações”. 

Isso fez com que surgissem, nos últimos anos, diversas iniciativas como o AirBNB e a locação de imóveis ociosos (com períodos mais curtos), Room Go com o aluguel de quartos ou kitnets e o Roomster com a mesma proposta. “Grandes grupos já estão tentando criar empreendimentos com foco estrito na locação via Uber e AirBNB”.

Os dados fazem toda a diferença

Pode ter virado clichê dizer isso, mas os dados são o bem mais precioso do mundo. “A disrupção digital começa com eles, que passam por estudo, análise e trazem velocidade para o resultado”, explicou. “Nos Estados Unidos é assim: identificam personas pelo comportamentos e criam gatilhos tecnológicos que geram resultados a curto prazo”. 

E ele ainda ressaltou: as informações são mais importante que qualquer produto. “Nosso maior ativo no Grupo Zap é o Data Zap onde tenho dados de todas as transações imobiliárias no Brasil! É bem mais importante que o marketplace”. 

No entanto, o corretor não deixará de existir

Para finalizar, ele garantiu que será importante o profissional para o contato mais humanizado com o cliente. “O comportamento muda, mas ainda é necessária a presença do profissional de corretagem ou de locação”, concluiu.

“O mundo não será robotizado! Mas ele será utilizado para automatizar e evoluir o processo de locação. Isso vai ajudar a melhorar o trabalho, não acabar com ele”. 

Sobre a Superlógica

A Superlógica desenvolve o software de gestão líder do mercado brasileiro para empresas de serviço recorrente. Somos referência em economia da recorrência e atuamos nos mercados de SaaS e Assinaturas, Condomínios, Imobiliárias e Educação.

A Superlógica também realiza o Superlógica Xperience, maior evento sobre a economia da recorrência da América Latina, e o Superlógica Next, evento que apresenta tendências e inovações do mercado condominial.
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