Marc Benioff, CEO da Salesforce

Por que Marc Benioff, CEO da Salesforce, é um dos caras mais legais do mundo

Marc Benioff é um daqueles caras que você, com certeza, gostaria de ser amigo. O presidente, co-CEO e fundador da Salesforce, é uma daquelas personalidades notáveis que marcam sua história no mundo.

Conhecido como “CEO ativista”, defende temas como diversidade sexual, meio ambiente, educação, igualdade feminina no mundo corporativo e distribuição de renda.

Contudo, sua voz tem se propagado em questões que vão além do Vale do Silício – região a qual, a propósito, a Salesforce é a principal empregadora entre as empresas de tecnologia, com mais de 8 mil postos de trabalho. Aproveite para conhecer a história da Salesforce, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo.

Somente sua história como fundador dessa que é uma das mais significativas empresas do mundo já valeria enredo para um bom livro ou filme.

Como empreendedor, revolucionou toda uma indústria apostando que a “computação na nuvem” (cloud computing) estaria no futuro dos negócios das grandes corporações.

A ideia (ou a teimosia) de Benioff em “tornar o uso da tecnologia dentro das empresas tão simples quanto fazer uma compra pela Amazon” inaugurou o conceito que estabelece o uso do software como serviço (Software as a Service). Esse modelo viria a ser conhecido mais tarde como SaaS, sendo o responsável por ligar as assinaturas aos serviços de tecnologia.

A Salesforce foi uma das pioneiras em hospedar seu software online, em vez de instalá-lo nos computadores dos clientes. Ela nasceu e se criou neste modelo e, literalmente, foi a responsável por abrir caminho para a consolidação da indústria SaaS.

Já deu para perceber que somente até este ponto da história, Marc Benioff já estaria bem colocado em qualquer hall da fama do mundo empresarial.

Mas a persona de Benioff vai além desse feito.

Marc Benioff: quem é o CEO da Salesforce

Praticante de meditação, amigo do guru indiano Deepak Chopra e filantropo, Marc Benioff é considerado um dos maiores líderes mundiais, segundo a revista Fortune, devido à sua influência que extrapola o mundo dos negócios.

Muito dessa notoriedade é sustentada pela crença de Benioff de que “as empresas são as maiores plataformas de mudança no mundo”. Discurso bem diferente do que ele ouvia enquanto aluno de administração de empresas na USC (Universidade do Sul da Califórnia). “Na escola de negócios, tudo o que eu ouvia como conselho empresarial era ‘concentre-se nos acionistas’”, conta.

Mas, segundo ele, essa é uma afirmação que deve ser apagada da história. “O foco dos negócios deve estar em melhorar o mundo”, define.

E ele tem sido bastante fiel a essa premissa. Benioff é mais que uma figura emblemática para o SaaS.

Dentro da Salesforce, defende causas como a equiparação salarial entre homens e mulheres. Fora da Salesforce, incentiva líderes empresariais a se oporem publicamente às legislações de alguns Estados americanos que viria a permitir a discriminação contra as comunidades LGBT.

Crítico do governo de Donald Trump nas redes sociais e em suas aparições públicas, o CEO da Salesforce afirma hoje não ter laços com nenhum partido político, apesar de, no passado, ter dado apoio a Hillary Clinton, na eleição presidencial de 2016.

Um dos temas de maior discordância entre Benioff e a administração de Trump são as questões climáticas. Apesar de não serem mais prioritárias para o governo dos Estados Unidos, o Estado da Califórnia tem despontado, de forma independente, como uma referência mundial no assunto, com metas ambiciosas de gerar toda sua eletricidade de forma limpa até 2045.

Para endossar a causa, Benioff declarou durante a Cúpula Mundial de Ação Climática, realizada em San Francisco, que a Salesforce está comprometida em atingir 100% de energia renovável antes desse prazo, até 2022.

O CEO também pretende fortalecer o poder das tecnologias da Quarta Revolução Industrial para ajudar a reduzir as emissões em todos os setores econômicos.

Voz ativa para ajudar os sem-teto

Benioff tem sido um dos principais ativistas na questão dos sem-teto na cidade de São Francisco. Em um artigo publicado recentemente no The New York Times, o CEO da Salesforce dá uma puxada de orelha nos demais empresários da cidade, chamando a atenção para a necessidade de aprovação da chamada “Proposition C”, que pretende oferecer uma resolução para o problema.

O projeto, que foi criado com o objetivo de aumentar a arrecadação de impostos dos negócios mais ricos da cidade (com faturamento acima de US$ 50 milhões), tem recebido resistência por parte das startups locais.

Estima-se que o imposto levantaria até US$ 300 milhões anuais, para tratar da questão, o que representa quase o dobro do que São Francisco gasta atualmente – e que poderia resolver a situação de mais de 7.500 desabrigados.

Segundo Benioff, em seu artigo, “esta é uma emergência humanitária e exige uma resposta de emergência”. Entretanto, muitos empresários temem que a medida irá afastar da cidade oportunidades de negócios e, consequentemente, vagas de empregos.

Benioff tem rebatido: “A Salesforce, por exemplo, é o maior empregador privado da cidade. A proposta poderia aumentar nosso imposto anual em cerca de US$ 10 milhões. Esperamos receitas este ano de US$ 13 bilhões. Mesmo com a Proposition C, ficaremos bem”, disparou.


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Salesforce Tower, um marco para a cidade de São Francisco

Salesforce Tower, um marco para a cidade de São Francisco

Salesforce Tower, um marco para a cidade de São Francisco

Outra marca admirável de Benioff e da Salesforce na cidade de São Francisco é a Salesforce Tower, prédio que abriga a sede da companhia, considerado como o maior e mais caro edifício já construído ali, com investimentos de 1,1 bilhão de dólares.

Inaugurada no começo de 2018, sua imponência pode ser vista de qualquer lugar da cidade e já ganhou status de maior arranha-céu da Costa Oeste dos Estados Unidos.

A Salesforce comprou os direitos de nomeação do edifício por 25 anos e deverá utilizar menos da metade de seus 60 andares.

A torre, com impressionantes 324 metros de altura, é símbolo de riqueza para uma cidade que respira inovação e do poder da indústria da tecnologia.

Mas não é só isso.

Mostra também o vigor de uma região que vem ganhando destaque mundial em temas com seus porta-vozes mais laboriosos, como é a figura de Marc Benioff.

Nada mal para uma empresa que começou seus negócios dentro de um pequeno apartamento alugado na mesma cidade.

O começo de Marc Benioff: inspirado pela Apple, moldado pela Oracle

Falando em começo, Marc Benioff é um daqueles caras que na adolescência já mostrava aptidão para o universo da tecnologia.

Vendeu seu primeiro software, o “How to Juggle”, aos 14 anos, por US$ 75. Aos 15, fundou sua primeira empresa de videogames, a Liberty Software. Aos 17, começou a desenvolver e vender jogos para videogames Atari, empreitada que lhe rendeu dinheiro suficiente para pagar a faculdade.

Mais tarde, fez estágio na Apple, onde passou a desenvolver soft­ware dentro da divisão Macintosh. Lá, foi inspirado pela empresa e pelo seu cofundador, Steve Jobs.

Após concluir a faculdade, Benioff esperava continuar na carreira de desenvolvedor,  mas decidiu seguir os conselhos dos professores da USC e obter experiência de trabalho orientada para o cliente.

Foi então que Benioff foi admitido na Oracle, em um cargo na área de atendimento ao cliente.

Se destacou dentro da empresa: aos 23 anos, foi nomeado “Estreante do Ano da Oracle” e, três anos depois, aos 26, foi promovido a vice-presidente, se tornando a pessoa mais jovem da empresa a alcançar tal feito.

Sua carreira na Oracle durou 13 anos.

A fundação da Salesforce

Em 1999 fundou a Salesforce e abriu espaço para a bem sucedida consolidação da tecnologia hospedada nas nuvens. Tal feito gerou, anos mais tarde, um mal estar com Larry Ellison, fundador da Oracle e um dos mentores de Benioff em seu início de carreira.

Eles chegaram a trocar farpas publicamente sobre a originalidade da tecnologia usada na Salesforce. Ellison – um dos primeiros investidores da Salesforce e integrantes de seu conselho – alegou que boa parte da tecnologia da empresa havia sido construída em cima da Oracle.

A briga já foi superada e hoje a Salesforce é um colosso, dona da plataforma para gestão de CRM (Customer Relationship Management) considerada líder mundial, com receita de US$ 10,48 bilhões ao ano e mais de 150 mil empresas clientes em todo o mundo.

Sua importância para o mundo tecnológico e acima de tudo para o modelo SaaS é incontestável. Pioneira, a Salesforce pavimentou a estrada para que outras gigantes como Microsoft e Adobe migrassem, anos mais tarde, seus softwares para a nuvem.

Os números pessoais de Marc Benioff

Com fortuna avaliada em US$ 5,9 bilhões, Marc Benioff figura na lista de bilionários da Forbes, na 404ª posição, e na 84ª posição no ranking dos americanos mais ricos.

A maior parte desse dinheiro está na forma de ações da Salesforce, que representam 5% empresa.

A empresa de Benioff foi reconhecida como a mais inovadora pela revista Forbes, o melhor lugar para se trabalhar pela revista Fortune, e a 15ª empresa mais admirada do mundo pela revista Fortune.

O CEO já foi nomeado “Inovador da Década” pela Forbes, classificado em terceiro lugar na lista “Empresários do Ano” da Fortune e um dos 15 CEOs de melhor desempenho pela Harvard Business Review.

O filantropo

Logo após fundar a Salesforce, Benioff criou o modelo de filantropia 1-1-1, pelo qual a empresa dedica 1% do produto, 1% do patrimônio e 1% das horas trabalhadas para melhorar as comunidades que atende no mundo todo.

A Salesforce estima que atualmente mais de 5 mil empresas tenham adotado o mesmo modelo por meio do movimento Pledge 1%. Entre as empresas que compõem esse hall está o Google, apenas para citar um exemplo.

Dentro da filantropia, o foco de atenção de Benioff está voltado para a saúde infantil, meio ambiente, educação pública e para a falta de moradia. Ele e sua esposa, Lynne, doaram mais de US$ 250 milhões para a Universidade da Califórnia, em São Francisco, para a construção dos hospitais infantis.

Em 2016, o casal criou a Benioff Ocean Initiative na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, para estudar e resolver problemas oceânicos em todo o mundo.

Benioff também é membro do Conselho de Administração do Fórum Econômico Mundial para a Quarta Revolução Industrial, em São Francisco.

Aquisição da Time: o mais novo negócio de Benioff

Em setembro de 2018, o casal Marc e Lynne Benioff anunciaram ao mundo a compra da revista Time por US$ 190 milhões. Segundo o anunciado na ocasião, a aquisição tem motivações pessoais, sendo que o negócio editorial não deve ser unido à Salesforce.

Benioff se reservou apenas em dizer que acredita que a publicação esteja alinhada aos seus valores familiares. Em sua avaliação, devido à importância e credibilidade, construída ao longo de quase 100 anos de história, a Times é um negócio que causa repercussões globais positivas.

Em uma entrevista ao Wall Street Journal, ele disse: “Estamos investindo em uma empresa com grande impacto no mundo, que também é um negócio incrivelmente forte. É o que procuramos quando investimos em família”, concluiu.

Entretanto, já se sabe que a economia da recorrência é mesmo o forte de Benioff. A Times é considerada uma das mais tradicionais e respeitáveis publicações americanas e reúne hoje mais de 100 milhões de assinantes, divididos nas versões impressa e digital.

O casal Benioff declarou ainda que não pretende se envolver nas decisões jornalísticas, que continuarão a ser lideradas pelo próprio time executivo.

Benioff seguindo os passos de Bezos?

Essa não foi a primeira vez que um bilionário da tecnologia decide se aventurar no segmento midIático. Outro exemplo foi visto em 2013, quando Jeff Bezos, fundador e presidente executivo da Amazon, comprou o jornal The Washington Post por US$ 250 milhões.

Naquela ocasião, a transação não foi muito bem compreendida; afinal, uma crise no mercado editorial se mostrava em franca expansão: grupos de mídia centenários viam a debandada gradativa de leitores de publicações impressas para o meio online.

Na época, como forma de justificar a efetivação do negócio, Bezos declarou apenas que sua decisão estava mais ligada à “intuição” do que propriamente à uma análise racional.

Mas, na cabeça de Bezos, a internet, que tanto ameaçou a sustentação das empresas jornalísticas, apresentava um potencial a ser explorado com a redução do ticket médio e aumento no ganho de escala.

E, sem dúvidas, Bezos conhece bem esse universo online. Está aí a Amazon que não nos deixa mentir.

Ao que parece, a estratégia/intuição de Bezos vem dando certo e, cinco anos depois, o Post tem divulgado notícias animadoras sobre obtenção de lucros – particularmente, nestes dois últimos anos – e uma redação em crescimento.

Apenas a título de curiosidade, o patrimônio líquido do presidente da Amazon está hoje avaliado em US$ 160 bilhões, ocupando a primeiríssima posição no ranking da Forbes. Bezos foi o primeiro a bater a casa dos US$ 150 bilhões, nas três décadas de existência dessa lista.

O autor Marc Benioff

Marc Benioff também é autor de três livros. No mais famoso, “Behind The Cloud” (2009), o CEO conta como a Salesforce passou de startup à empresa de tecnologia com crescimento mais rápido do mundo em menos de uma década.

Ele descreve a jornada rumo à liderança, o ambiente de negócios do início dos anos 2000 e a construção de um novo modelo de negócios apoiado na nuvem, que viria a redefinir toda uma indústria anos mais tarde.

No livro ele ainda relata as estratégias certeiras que permearam a empresa desde o seu momento inicial como, por exemplo, a manutenção do cliente como foco do negócio.

Essa é uma leitura obrigatória todo gestor de um negócio recorrente, em especial SaaS.

Os outros dois livros escritos por ele são: “Compassionate Capitalism: How Corporations Can Make Doing Good an Integral Part of Doing Well” (2004) e “The Business of Changing the World: 20 Great Leaders on Strategic Corporate Philanthropy” (2006).

 



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