Netflix: por que você não vive sem esse serviço de streaming?

Netflix: por que você não vive sem esse serviço de streaming?

A Netflix surgiu em 1997 popularizando um serviço de locação de DVDs entregues pelos correios. O modelo era, portanto, totalmente diferente do que conhecemos hoje e não tinha nada a ver com assinaturas ou streaming de vídeos.

O tempo passou e os anseios dos clientes foram se modificando. A economia da recorrência abarcou uma série de empresas e mudou a forma como consumimos música, filmes e séries, apenas citando a indústria do entretenimento.

Mais de duas décadas depois, a Netflix virou ícone de um segmento cujo os negócios seguem muito bem. Apenas no último trimestre de 2018 a empresa faturou mundialmente US$ 4,19 bilhões, segundo dados divulgados pela empresa.

Mas, ela não está sozinha. O streaming de vídeos tem players de peso como Amazon, Fox, HBO e Disney.

Qual é o segredo do sucesso da Netflix? Porque ela se tornou tão relevante em uma era que o cliente é o foco nas estratégias das empresas?

Entenda como a Netflix é capaz de saber o que os seus usuários querem e oferecer uma experiência única.

Streaming de vídeo: benefícios para empresas e clientes

Cada vez mais, empresas ao redor do mundo reconhecem o potencial de crescimento do modelo de negócio baseado em assinaturas.

Afinal, a recorrência de pagamentos traz inúmeros benefícios para clientes e empresas. E a era digital é um terreno fértil para novas ideias, que captam a essência do que realmente importa: a experiência.

O modelo de assinaturas na indústria do entretenimento se popularizou como “streaming”. Nele, clientes ansiosos para usar soluções personalizadas encontraram seu porto seguro, colocando empresas como a Netflix entre as mais valiosas do mundo.

Uma experiência mais rica, a conveniência e a tranquilidade de um serviço de qualidade ininterrupto são os grandes trunfos deste modelo de negócios: as empresas que desejam ter sucesso nessa chamada “nova economia” precisam se orientar em torno dos clientes e não dos produtos.

Na recorrência, cada cliente é único e tem necessidades diferentes.

Dados preditivos: tudo o que o usuário faz, importa!

Podemos dizer que a Netflix talvez seja um dos cases de maior destaque quando o assunto é entender o cliente e, claro, disromper mercados tradicionais.

E não é à toa que nos últimos 20 anos, muitas empresas se tornaram novos ícones ao equilibrarem, com maestria, esses três aspectos:

  • Facilidade de inscrição;
  • Pagamento sem complexidade;
  • Entrega de valor para o assinante;

Para se tornar a gigante do streaming, a Netflix tornou real a possibilidade de oferecer mais que a experiência de ver séries e filmes. Quem acessa a plataforma da empresa sabe que encontrará exatamente o que precisa, no momento certo.

Mas, nada é coincidência.

A empresa usa a inteligência de dados para escalar o negócio de forma consistente, a partir das predileções de sua audiência.

Ela foi além das superficiais pesquisas de opinião e entendeu que tudo, absolutamente tudo que seu usuário faz dentro de sua plataforma, importa. Desde como, quando, onde e o que assiste, à quanto tempo se leva para consumir as atrações. Passando pela interpretação das avaliações concedidas ao conteúdo.

Tudo é mensurado e analisado e toda a informação coletada é traduzida em ofertas mais assertivas que “fisgam” a audiência, transformando-a em fiéis seguidores. Essa análise preditiva também faz com que as produções originais da Netflix nasçam com maiores chances de sucesso.

Desvendando o segredo da Netflix: Por que deu tão certo?

Analisando as preferências: receita para ganhar milhões de dólares

O fruto da associação dessa inteligência de dados pode ser visto na série “House of Cards”, um drama político produzido por David Fincher. A bem sucedida união entre ator, produtor e tema se deu porque a Netflix observou que os filmes protagonizados por Spacey e as produções de Fincher recebiam bastante engajamento por parte da audiência. O tema “política” também contava com boa aprovação.

A aposta deu certo e após imenso sucesso mundial, a série chegou à sexta e, também, última temporada em 2018.

Compreender todos esses dados é o diferencial que vale milhões de dólares a mais.

Ciência do consumidor: teste hipóteses e desconfie de pesquisas

Mas a Netflix não se restringe a somente acertar na combinação de elenco e direção, a empresa sabe exatamente em qual episódio de cada atração a audiência se rende.

Nir Eyal, que foi VP da empresa, escreveu um artigo no qual fala sobre a obsessão que a Netflix tem por criar a melhor experiência para o usuário.

Para isso, ele descreve como o CEO Reed Hastings trabalha pela construção da “Ciência do consumidor”. Segundo ele, o foco central dessa estratégia está em testar hipóteses e não apenas ouvir o que os usuários têm a dizer.  

Um dos aprendizados compartilhados por Eyal foi que clientes podem assumir comportamentos diferentes de seus discursos. É por isso que a Netflix explora ideias que surgem de insights de diversos lugares, a partir de uma mistura de técnicas.

Um exemplo relevante foi quando a empresa substituiu o sistema de classificação de cinco estrelas para um mais simples de “polegar para cima, polegar para baixo”. A mudança simplesmente dobrou o número de avaliações concedidas.


Nova call to action

Streaming de vídeo tem concorrentes de peso

Com outro peso e medida, os investimentos da Netflix em conteúdo original se tornaram parte da estratégia para se diferenciar da concorrência, que digamos, é bastante ostensiva.

O crescimento e popularização dos serviços de streaming em vídeo conta com nomes como Amazon Prime Video, que reúne 75 milhões de assinantes e que, segundo o último relatório da consultoria americana BMO Capital Market, fechou 2018 com uma receita de US$ 1,7 bilhões.

Gigantes da tecnologia e entretenimento também entraram na briga do streaming de vídeos. A Apple divulgou o novo serviço de streaming Apple TV+, em 2019. Até a Disney embarcou nessa ao anunciar o seu Disney+.

Outros players importantes são Fox+ e HBO Now, serviços que funcionam com assinatura independentemente às operadoras de TVs a cabo. Vale lembrar que ambas as empresas são fortíssimas geradoras de conteúdos exclusivos.

A força da concorrência entre os serviços de streaming de vídeos é inquestionável. É por isso que volta e meia, os clientes da Netflix se deparam com a remoção de alguns de seus títulos preferidos do catálogo.

Isso porque a empresa sofre alguma resistência para licenciar conteúdo de outras marcas, o que gera muitas críticas dos assinantes e alguns cancelamentos.

A força do modelo Netflix

A Netflix está presente em mais de 190 países do mundo. Está indisponível apenas na Crimeia, Coreia do Norte, Síria e China em virtude de restrições políticas junto ao governo americano.

Atualmente a empresa conta com 140 milhões de assinantes em todo planeta.

E a popularidade só cresce. Foram registrados:

  • 29 milhões de novos assinantes em 2018, sendo 8,8 milhões de assinantes somente no último trimestre de 2018;
  • 42% deste crescimento foi registrado em países fora dos Estados Unidos;
  • 8 milhões de assinantes estão no Brasil: o que representa cerca de 6% de sua base de assinantes no mundo;
  • São 125 milhões de horas de filmes e séries assistidos por dia;
  • Cada assinante assiste cerca de 51 minutos de conteúdo por dia na plataforma. Isso dá uma soma de:
    – 
    310 horas por ano
    – 25 dias do ano
  • O sistema de recomendação usado pela Netflix influencia cerca de 80% do conteúdo assistido;
  • Em 2015, seu valor de mercado de US$ 32.9 bilhões superou o valor da tradicional rede de televisão americana CBS, avaliada em US$ 30.6 bilhões.



 



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