Felipe Matos: “Negócios recorrentes são desejados por 10 entre 10 no mercado”

Qual segredo faz uma empresa alcançar o sucesso e a outra não? Essa é pergunta que mais ronda a cabeça de empreendedores de todo o mundo. Quem nunca quis saber o que faz alguém se destacar no mercado? Quem não quer descobrir o caminho para chegar ao topo?

A realidade é que não existe uma resposta certa. Mas algumas coisas vão se repetindo na maioria dos casos. É isso que Felipe Matos, autor do livro 10 mil startups, percebeu ao longo da sua trajetória. “Não são coisas determinantes, mas que ajudam com toda a certeza”, comentou.

Felipe tem um excelente background para falar sobre o assunto. Começou a tocar uma empresa com apenas 16 anos, o Girando Wap (que ele define ter sido o primeiro aplicativo para dispositivos móveis do Brasil). Depois experimentou diversas áreas do empreendedorismo: incubadoras, aceleradoras, fundos de investimento e até a esfera pública, o Startup Brasil, iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologias de incentivo ao mercado. Foi também um dos fundadores da Startup Farm, maior aceleradora de negócios do Brasil, por onde já passou Easy Taxi, RankMyApp e outras mais de 250 empresas.

Analisando os dados de todas as startups que passaram pelo Startup Brasil e da Startup Farm, Felipe conseguiu achar algumas relações entre as empresas que não conseguiram alcançar o sucesso. “É mais fácil achar relações nas que fracassaram do que nas que triunfaram”, lembrou.

Alguns dos fatores encontrados para o insucesso:

Mas o que fazer então para dar certo? “Não faça nada daquilo que dá errado”, brincou. “Algumas das pequenas correlações de sucesso que encontramos estão ligadas ao espírito de liderança dos sócios. Além disso, existe um pequeno indício que empresas com fundadores que vem de grandes faculdades tenham mais chance de prosperar, mas nada preponderante”.

Nova call to action

Outro fator vai chamar a atenção do mercado: a economia da recorrência. “Empresas que utilizam o modelo de recorrência são desejados por 10 entre 10 empreendedores e investidores”, explicou. Os motivos são simples: fidelização, previsibilidade e o custo de aquisição de clientes é amortizado pelo ciclo de vida, que é maior.

“Tudo isso é muito bom e muito bonito, mas existe uma dificuldade grande de ser operacionalizado”, lembrou Felipe. É preciso acompanhar o engajamento dos clientes, o churn (cancelamento) e o funil de aquisição. “Existem muitos desafios específicos em cada etapa da jornada de uma empresa SaaS. É um trabalho enorme de gestão”.

Por isso, a principal dica do Felipe é: conheça a sua empresa. “Tenha clareza de quantos clientes estão chegando, quantos convertem e qual o nível de interação”, explicou. “Não esqueça de entender também o porquê daquilo tudo acontecer. Nesse caso, a imensidão de dados que você tem acesso é o seu maior aliado”.

Mas não ache que o trabalho tem um fim. O seu negócio está vivo e sempre continuará mudando.  “Às vezes um canal que é bom hoje, amanhã não é mais! Sempre fique atento a isso”, alertou. “Recorrência é relacionamento duradouro. Fazer isso em escala não é fácil. Quem consegue alcançar isso vai acabar se destacando no mercado”.

Ele decidiu reunir todo o seu conhecimento adquirido ao longo desse tempo com o livro 10 mil startups. Esse foi o número de negócios que passou pelo portfólio de todas as iniciativas que trabalhou. Além do livro em si, ele disponibiliza uma plataforma online com modelos de planilhas para os empreendedores conseguirem iniciar seus negócios.

Felipe é um dos palestrantes do Superlógica Xperience 2018, maior evento de assinaturas e SaaS da América Latina. Amanda Camasmie, líder de marketing da Superlógica, e Heitor Facini, redator do blog da Superlógica, bateram um papo com ele sobre a trajetória dele em empreendedorismo.

Ele é o oitavo dos participantes da segunda temporada do Podcast do Xperience, que vai ao ar toda a quinta-feira até a data do evento. Não se esqueça de se inscrever no nosso Soundcloud e no iTunes, para receber com antecedências as novidades do podcast Semana que vem a entrevista será com Fábio Póvoa, co-fundador da Movile e Managing Director da Smart Money Ventures.

Podcast #Xperience S02E08 – Felipe Matos

O que você vai ouvir neste podcast:

1:40 – Fundação do portal Infor@news com 14 anos de idade;

2:25 – Criação do Girando Wap quando ele tinha apenas 16 anos;

4:45 – Início do Instituto Inovação, aceleradora que pretendia ajudar os empreendedores a criar os negócios a partir da área técnica.

6:33 – Felipe selecionado para ser gestor do Fundo Criatec de Investimentos pelo BNDES;

7:00 – Ser um empreendedor ajudou a entender o outro lado e ficou mais fácil para conseguir acelerar projetos;

8:45 – Criação da Startup Farm para preencher o gargalo de projetos muito crus, numa fase bem inicial e ajudar o empreendedor a dar saltos maiores depois disso;

10:20 – Entrada no Startup Brasil e as diferenças de empreender no meio público e no meio privado;

11:15 – “No direito privado, a regra diz que você pode fazer qualquer coisa, exceto aquilo que está proibido na lei. No direito público é o contrário, você não pode fazer nada, exceto o que está permitido pela lei. Na esfera pública, inovar é proibido por definição”;

13:50 – “Para cada real que o governo investiu, as empresas conseguiram levantar mais de 3 reais com investidores privados”;

16:00 – Startups que têm equipes com um sócio só, equipes só técnicas ou de negócios, sem experiência no mercado, que demoram para validar o projeto têm mais chance de fracassar;

18:40 – É importante os sócios terem um grande espírito de liderança;

19:50 –  Processo de criação do livro 10 mil startups;

22:15  – “Os modelos de recorrência são desejados por 10 entre 10 investidores e empreendedores no mercado”;

23:30 – “Empreendedores SaaS têm de saber muito do negócio e ter muita clareza das métricas”;

25:20 – O relacionamento em negócios recorrentes também tem de ser recorrente. É essencial para a empresa conseguir crescer;

Confira todos os nossos episódios!



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