A nuvem e a nova vida de Pedro

Por Caio Klein, sócio e Chief Operating Officer da Sky.One

A maior parte dos responsáveis pela área de tecnologia da informação não tem uma  ideia clara de como serão suas vidas após a adoção da nuvem como infraestrutura de TI. Paira um certo ar de mistério e impotência diante do fato de que os servidores não estão mais ao alcance das mãos e de que não podemos mais nos conectar facilmente em consoles físicos – que dirá apertar o botão liga/desliga. Entretanto, as recompensas vêm de diversas formas e os aspectos positivos da nuvem se manifestam de modo inesperado para os marinheiros de primeira viagem.

Vamos imaginar como ficou um dia na vida do Pedro, gerente de TI de uma empresa de 500 funcionários, que migrou recentemente um workload legado para a Amazon Web Service (AWS) e, agora, enfrenta os primeiros desafios nesse ambiente. Pedro é um representante dos tantos profissionais do mercado que se deparam com um mundo novo a ser explorado e, gradualmente, começam a se acostumar com as facilidades da nuvem.

Logo pela manhã, Pedro enfrenta um problema recém-descoberto pelo fornecedor do seu software, que irá requerer um upgrade de versão. Pedro sabe que o problema é sério e precisa fazer o upgrade. Porém, cansado de encontrar surpresas nos patches do software, ele suspeita que se fizer o procedimento pode deixar os usuários na mão durante as horas em que corre atrás de correções para os problemas encontrados. Isso sem falar nas horas trabalhadas de madrugada para reduzir ao máximo o impacto da indisponibilidade do sistema durante o upgrade.

Analisando melhor a situação, Pedro percebe que nada disso é mais necessário. Ele pode rapidamente criar uma cópia da imagem que o servidor do software gera, e também possui uma cópia do banco de dados automaticamente atualizada durante a noite.

Em poucos minutos, Pedro pode inicializar um ambiente idêntico ao de produções em máquinas virtuais, que serão usadas por apenas algumas horas, e que lhe custará poucos dólares. O responsável pelo TI ainda pode pedir ao seu time técnico para executar o upgrade nesse ambiente de teste, validar todas as modificações e seguir adiante apenas quando tudo estiver perfeito. E o mais interessante: esse trabalho pode ser feito ao longo do dia, sem qualquer impacto no ambiente de produção.

Durante o processo de teste do novo software, o time recebe um alarme de alta utilização de disco, gerado pela própria nuvem. Os limiares que ele definiu para a ocupação do servidor de banco de dados foram atingidos mais rápido que o esperado, sobretudo porque o aumento do desempenho do sistema em cloud permitiu que mais informações de monitoramento fossem armazenadas. Fazer a expansão de um disco no seu próprio servidor é um processo delicado, principalmente quando o disco já está disponível. Seria um processo de algumas semanas. Porém, com o serviço de banco de dados gerenciando o procedimento é diferente. Pedro percebe que pode agendar uma janela de manutenção, sendo capaz de aumentar automaticamente o tamanho do seu banco de dados sem causar qualquer interrupção no sistema, uma vez que já escolheu um modo de operação em alta disponibilidade. Tudo se resume em configurar a janela para algum horário conveniente e determinar o novo tamanho do banco de dados.

Já no meio da tarde, um operador percebe que o servidor Windows que ele estava acessando apresenta uma inexplicável perda de desempenho. Logo na sequência, recebe um alerta da administração da nuvem, informando que esse mesmo servidor está sofrendo um port scan.

Acionado, Pedro resolve rodar uma ferramenta da própria nuvem para checar se todos os servidores estão com as regras de firewall aderentes à política de segurança definida e descobre que esse servidor está aberto ao mundo. Algum colaborador, inadvertidamente, removeu os filtros de proteção padrão. Pelos logs ele descobre quem é o colaborador e, então, já aplica a regra que impede todos os usuários com o mesmo nível de privilégio de executar a mesma remoção.

Já no fim do dia, Pedro é convidado pelo seu diretor para uma reunião na qual um novo fornecedor apresentará uma ferramenta que promete aumentar a produtividade de uma linha de produção em até 30%. Ao longo da conversa, descobre que pode testar a ferramenta, mas para isso precisará disponibilizar diversos servidores e terá que conectar com VPNs e acessar serviços web do próprio fabricante. Além disso, percebe que pode testar com sua própria base de dados e, assim, validar o processo completamente. É claro que se contasse apenas com o hardware da empresa, esse teste jamais seria possível. Graças à nuvem, a criação desse ambiente é uma questão de poucas horas. Além disso, Pedro pode retirar uma cópia do seu banco de dados, testar a ferramenta e ver como ela efetivamente iria funcionar na sua empresa. Com isso ele remove a barreira para adoção de novas ferramentas e minimiza riscos de aquisição, testando exaustivamente o que vai comprar.

A mudança de paradigma de infraestrutura afetou radicalmente a vida de Pedro que, agora, gasta muito menos tempo com infraestrutura. Sua tarefa atual é apenas escolher o que precisa e clicar nos botões corretos. Ele sabe que hoje em dia sua equipe não precisará mais desperdiçar intermináveis horas com configuração e manutenção de servidores, storage, roteadores e firewalls. Seu time pode focar mais em ajudar outras áreas da empresa a identificar ferramentas que aumentem a produtividade e garantir que sejam bem utilizadas. Com tudo isso, até as noites do Pedro se tornaram mais tranquilas.

 

Caio Klein é cofundador da Sky.One, uma empresa especializada no desenvolvimento de plataformas que facilitam o uso da nuvem e soluções em cloud e idealizadora do Auto.Sky, um modelo que permite utilizar todo o potencial de uso da nuvem para realizar a migração de uma solução ERP.


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