Como levantar capital no Vale do Silício?

O panorama de investimentos em startups de tecnologia nos Estados Unidos mudou com o passar dos anos. De acordo com dados apresentados por Pedro Sorrentino, um dos sócios da ONEVC, fundo de investimento em empresas situado no Vale do Silício, no 1Q de 2018, 1683 startups levantaram quase US$ 30 bilhões. Desse valor, US$ 7,2 bilhões vieram de apenas 17 empresas, sendo todas unicórnios (empresas de tecnologia com valuation maior que US$ 1 bilhão).

“Uma das coisas que a gente percebeu é que a forma em que os investimentos são feitos mudaram”, declarou Pedro em sua palestra no Superlógica Xperience 2018. “Hoje, são menos acordos negociados, mas eles têm uma taxa de investimento muito maior do que antes”.

Por que isso acontece? Como conseguir um investimento para a sua empresa dentro do Vale do Silício? Pedro apresentou respostas para essas perguntas em sua palestra “Como levantar capital no Vale do Silício?” para o Superlógica Xperience 2018. Você pode conferir a palestra no vídeo abaixo e baixar o PDF dela no formulário ao final do texto. Não se esqueça de se inscrever na nossa newsletter ao longo do texto para receber em primeira mão conteúdo exclusivo do evento e sobre economia da recorrência na sua caixa de e-mail.

Qual o panorama de investimentos no Vale do Silício?

A principal característica apresentada por Pedro nesse momento é o fato das empresas ficarem mais tempo privadas e demorarem mais para abrir investimentos públicos. “O valor acaba sendo criado com maior impacto no privado em relação ao momento que vão ao público”, declarou.



“Antes você conseguia em IPOs de empresas como Apple e Microsoft multiplicavam seus ganhos 100x em um período de 10 anos. Pelo fato de se manterem mais tempos privadas, é impossível conseguir isso com empresas como Facebook e Twitter. Há ainda o exemplo do AirBNB, que tem mais de US$ 30 bilhões de valor de mercado e é de capital fechado. Ou do Uber que vale US$ 60 bilhões e é uma empresa privada”.

Por exemplo, nesse gráfico apresentado durante a palestra. A Apple, com abertura de capital em 1980, tem uma proporção de 60% de valor criado privado e 40% em valor criado público. Já o com LinkedIn, com IPO em 2011, Yelp, com IPO em 2012, Facebook, com IPO em 2012, e Twitter com IPO em 2013, essa porcentagem de valor criado público é de menos de 1%.

Isso acaba impactando no levantamento de capital. Os grandes investidores saíram dos IPOs e estão passando para os fundos de venture capital e aumentando o tamanho dos deals.  “Por exemplo, temos o Softbank, fundo de US$ 100 bilhões que só fazem cheques de pelo menos US$ 100 milhões”, lembrou.

Assim, a maioria dos acordos acaba subindo de valor. Por exemplo, no primeiro quarto empresas em estágios iniciais tiveram aportes médios de US$ 9.2 milhões, 3 vezes maior que a última análise. Empresas em um estágio mais avançado, tiveram aportes médios de US$ 15 milhões, 2 vezes maior. Ou seja, as empresas estão se fortalecendo de maneira privada para ter um maior poder de barganha com o passar do tempo.

Por exemplo, nesse gráfico é comparado o número de acordos fechados com o valor que ele é criado. O número de acordos fechados chegou ao valor mais alto em 2015 com 10.558 e caiu até que em 2017 chegou ao valor de 8.652. Mas, os valores continuaram subindo chegando ao máximo no último ano com US$ 82,9 bilhões (e com perspectiva de continuar crescendo com os desempenhos do 1Q de 2018).

Poucas são as empresas que realmente trazem retorno para os fundos de investimento

“Da mesma maneira que a maioria das startups fracassam, a maioria dos fundos de venture capital também fracassam”. Dessa forma, Pedro começou a explicar como são os ganhos de um fundo de investimentos.

Segundo ele, apenas entre 15% e 20% dos fundos performam bem. “Se você investisse em todos, você perderia dinheiro”. Além disso, dentro de um próprio fundo de investimento é percebido através de um gráfico que os top 100 acordos realizados retornam praticamente todo o valor de toda a carteira de investimento.

Além disso, indo mais afundo, dentro desses 100 deals a concentração se torna maior ainda nos 10 acordos que são maiores ainda. “Hoje, por exemplo, pense no seu celular. Você utiliza no máximo uns 7 ou 8 apps por dia. É normal que isso aconteça nos fundos pois eles buscam sempre investir em monopólios. Quando você investe em uma startup, a ideia é você ter continuidade para ter um plano de dominação mundial”.

Ele exemplificou mostrando nesse gráfico a porcentagem que representam cada parte dos acordos de acordo com a ordem de valor deles para os fundos. A parte amarela faz referência aos acordos de 1 até 10; a parte rosa remete aos acordos de 11 até 20; e a parte azul remete aos acordos entre 21-100. Repare que a barra amarela nunca ficou abaixo de 30% apenas uma vez e passou dos 50% em pelo menos 6 anos.  

Como começar a levantar capital?

Pedro usa uma metáfora para explicar. “Quando você entra num bar, você não espera conhecer o amor da sua vida e, em 5 minutos, sai casado dele, né? A mesma coisa acontece com investimentos. Você não sai com o capital logo após a primeira reunião. Investimentos são relacionamentos! Quanto mais cedo você conhecer o investidor, manter o diálogo, melhor”.

Segundo ele, as principais coisas que precisam ser mostradas numa reunião com investidor são: confiança (sem arrogância), comunicação, boa liderança e dar a entender que consegue vender sua empresa, seu produto e contratar as melhores pessoas para o seu time.

“Nós sempre avaliamos em startups a capacidade dos empreendedores de levantar dinheiro depois. Além de briga entre sócios, o esgotamento do capital é um dos principais motivos que as startups falham”.

O primeiro cheque vai ser sempre o mais difícil da sua empresa

A principal parte do processo é a pesquisa antes de começar as reuniões. “Você tem que entender se venture capital é o tipo de dinheiro que é certo para a sua empresa. Quando um investidor coloca o dinheiro, ele espera um retorno muito alto e de maneira bem mais única”.

Por isso, é necessário saber quando e onde captar, pensando de forma estratégica. É sempre bom escolher seus parceiros conforme o retorno que eles trazem além do financeiro.

Após escolher os melhores possíveis investidores para serem seus parceiros, é hora de preparar a sua empresa. Converse com advogados, entre em contato com os “candidatos” a serem investidores e marque todas as reuniões para um período de no máximo 1 mês.

O primeiro cheque vai ser sempre o mais difícil para a sua empresa. Depois que ele é assinado, o investimento chega de maneira muito mais fácil. No geral, para um round de US$ 2 milhões, que é o que a gente investe, você precisa conversar com no mínimo 40 investidores”.

É sempre importante conversar, oferecer KPIs, metas, métricas, crescimento e qual o estado da empresa no momento. Além disso, explique qual o problema que você resolve e como você resolve ele de maneira melhor que a concorrência.

“É necessário demonstrar o tamanho do seu mercado de atuação. Mas não adianta pensar em uma pesquisa de um instituto da vida. Tem ser o número dos seus clientes dentro do nicho que você serve, o número de contratos vendido e o LTV deles. É para entender o quanto tem disponível no mercado para você conquistar. Por fim, o empreendedor precisa demonstrar a competitividade da sua empresa, mostrar a defensibilidade e as principais vulnerabilidades da sua startup. Não é necessário saber todas as respostas, mas estar disposto a encontrá-las”.

Faça perguntas ao investidor também

Uma das principais falácias que todo mundo sustenta na hora de buscar o investimento é que apenas o empreendedor está sendo avaliado pelo investidor. Isso não é verdade, já que é necessário que aconteça a via oposta: investidor sendo avaliado pelo empreendedor.

“Tem de ter dualidade! O empreendedor precisa saber o que o investidor procura em uma empresa, qual o processo de trabalho dele, qual o tamanho do cheque dele e quais os próximos passos que ele vai fazer com aquele investimento”.

Além disso, é importante saber se a ajuda dele está apenas restrita aos recursos financeiros ou se haverá algum outro investimento dentro da empresa. “Teste os investidores! Peça para eles coisas e vejam se respondem rápido. Se não estão sendo responsivos, eles não estão interessados na sua empresa.

“Se, por acaso, você falar com 40 fundos e nenhuma delas quiser investir em você, pode significar que não é o momento certo mesmo. Apesar de venture capital ser um capital de risco, os investidores querem o menor risco possível no investimento. É necessário entender que esse investimento é muito mais do que algo simples, é um relacionamento com valor agregado nele”.

Sobre a Superlógica

A Superlógica desenvolve o software de gestão (ERP) líder do mercado brasileiro para empresas de serviço recorrente. Somos referência em economia da recorrência e atuamos em cinco segmentos de mercado: SaaS e Assinaturas, Condomínios, Imobiliárias, Educação e Empresas de Comunicação Visual.

A Superlógica também realiza o Superlógica Xperience, maior evento sobre a economia da recorrência da América Latina, e o Superlógica Next, evento itinerante falando sobre a transformação digital e os desafios do mercado de condomínios.



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