Tudo o que você precisa saber sobre boleto bancário no Brasil

O boleto bancário é uma forma de pagamento exclusivamente brasileira que tem mais de meio século de vida. A Federação Brasileira de Bancos, a Febraban,  aponta que são emitidos mais de 4 bilhões de boletos no Brasil anualmente.

Em 2016, o Sebrae apontou em um estudo que o boleto era a segunda forma de pagamento mais aceita do comércio eletrônico nacional, com 75% de aceitação pelos estabelecimentos. Dessa maneira, saber lidar com boletos é essencial para que qualquer empresa consiga sucesso hoje em dia.

Ao longo deste artigo, você vai conhecer mais sobre a história desse meio de pagamento e como conseguir gerenciá-lo.

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A história do boleto bancário no Brasil

A história começa a partir da década de 1960, quando as instituições bancárias se tornaram as responsáveis por receber contas de serviços públicos como água, luz e gás. O principal motivo por trás disso foi o aumento das agências espalhadas por todo o Brasil.

Na década seguinte, 1970, as agências passaram a receber também o pagamento de títulos relacionados a órgãos privados, aumentando muito o número de transações realizadas. Era urgente criar uma maneira de automatizar esse processo. Assim, surgiu a padronização dos boletos bancários no final dos anos 1970 e início de 1980.  

O processo avançou na década de 1990 com a implementação do código de barras em boletos de cobrança, trazendo mais comodidade para o consumidor brasileiro, que passou a poder pagar o título em qualquer agência ou posto de serviço bancário.

Brasil tem uma uma população desbancarizada muito grande

Uma característica muito importante do boleto fez com que ele se popularizasse muito no Brasil: você não precisa de um banco para pagá-lo. O Brasil tem uma grande população “desbancarizada” (ou seja, sem nenhum vínculo com bancos), de acordo com dados do IBGE.

“Muitos brasileiros utilizam o sistema bancário apenas para pagamentos ou mantém apenas uma conta poupança”, explicou Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper. “Além disso, muitos são trabalhadores informais, o que os impede de comprovar renda. Isso cria uma dificuldade imensa para conseguir obter um crédito. O boleto vira, assim, uma solução”.

Em 2018, existem aproximadamente 60 milhões de pessoas economicamente ativas na condição de desbancarizado, o que corresponde a mais da metade do todo (110 milhões). Esse grupo movimenta, anualmente, R$ 665 bilhões em transações, o que corresponde a aproximadamente 10% do nosso PIB.

Assim, fica fácil entender o porquê do boleto ter se tornado uma solução tão popular no Brasil: é extremamente democrático! Todo mundo, com conta ou não, pode usar.

Como funciona o boleto bancário?

O boleto bancário é um pagamento oficial, regulamentado pelo Banco Central do Brasil, que é feito de forma ativa pelo cliente (sacado) e não através de uma requisição pelo recebedor (cedente). O segundo identifica o primeiro e estabelece um prazo para que o documento seja pago, a data de vencimento dele.

Isso gera um documento, com formato padronizado pela Febraban, que conta com duas grandes áreas: o recibo do pagador e a ficha de compensação. O recibo vai ser a parte que vai ser entregue para o cliente após o pagamento e a ficha é a que vai ficar com a instituição bancária.

O boleto traz informações como:

  • Sacado: quem vai ser o pagador do valor;
  • Cedente: quem vai ser o recebedor da cobrança, o emissor do boleto;
  • Agência/Código Beneficiário: código relacionado a conta do cedente, agência tem 4 dígitos e código beneficiário tem de 6 a 12;
  • Valor do documento: o quanto custa a transação em moeda corrente vigente naquele país;
  • Vencimento: até quando o sacado tem para quitar o documento;
  • Juros e multa de mora: é quanto sacado tem que pagar por atraso no pagamento. Multa é paga apenas uma vez e juros aumenta conforme o tempo de atraso;
  • Nosso número: sequência de dígitos que compõe a linha digitável e carrega todas as informações registradas no banco;
  • Linha digitável: representação numérica do código de barras que contém código de compensação (3 primeiros dígitos), moeda (4º), data de vencimento (número de dias corridos a partir da data base de 7 de outubro de 1997) e o valor do documento até a data de vencimento (últimos dígitos). Ao todo, pode ter 48 dígitos;
  • Código de barras: representação em barras da linha digital para as máquinas compreenderem;

A partir do recebimento do documento, o sacado faz o pagamento. Se for antes da data de vencimento, o valor cobrado é o especificado ali. Se não, o valor cobrado será acrescentado de encargos de juros e de multa a serem cobrados pelo que está definido no documento.

A partir do pagamento, o valor é depositado na conta da empresa em prazo pré determinado pelo banco. O sistema bancário possibilita que a empresa saiba quais documentos estão abertos, quais foram pagos e quais já caíram, facilitando a organização das finanças.



O boleto registrado

A Febraban está empenhada em modernizar a forma que os boletos são pagos no Brasil. Desde junho de 2017, a federação começou o processo de implementação da Nova Plataforma de Cobrança e dos boletos registrados.

A mudança foi motivada pelas fraudes que ocorriam no processamento do antigo modelo de boletos. Segundo a instituição, a estimativa é que foram perdidos R$ 523 milhões com fraudes no ano de 2016, anterior ao início da implantação da nova plataforma. Os esquemas aconteciam principalmente quando o criminoso, por meio de engenharia social, implantava um malware dentro do computador da vítima que mudava a linha digitável alterando o destino do valor recebido para uma nova conta. Assim, o sacado pagava o valor do documento, mas o cedente não recebia a quantia.

“Antes do registro, havia a possibilidade de uma pessoa física ou jurídica emitir um boleto em nome de terceiros, mas com seus dados de recebimento. Desta maneira, o consumidor achava que estava pagando para uma empresa, mas o crédito acabava indo para outra”, afirma Adalberto de Souza Luiz, especialista em Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae. “Com a implementação do boleto registrado, o risco de fraude diminuiu muito”.

“O boleto registrado é uma evolução natural no processo de cobrança”, opina  Johan Hendrik Poker Junior, professor doutor do curso de administração da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp. “A gente está vendo um movimento onde os bancos buscam se afastar da opacidade dos paraísos fiscais, buscando cada vez mais deixar tudo às claras. Esse processo traz uma transparência maior para as transações. Além disso, aumenta a segurança para os clientes e empresas que podem oferecer isso”.

A Febraban implementou novos processos para fazer isso funcionar. Antes, a cobrança da taxa do boleto era paga pela empresa apenas no momento que o cliente liquidava a fatura. Agora, existem mais taxas: no registro do boleto (mesmo que não liquidado), na liquidação (que continua) e caso ele necessite alterar dados de registro.

“A implantação do boleto registrado diminuiu muito a ocorrência de fraudes. Entretanto, trouxe uma burocracia maior e um trabalho adicional, exigindo que tenha mais etapas para enviar a cobrança para o cliente”, opinou André Baldini, CEO da Superlógica.

Além disso, existem outras mudanças:

  • Todos os boletos devem conter nome, CPF/CNPJ e endereço do sacado e cedente;
  • Consumidor pode pagar o boleto em qualquer banco, não necessariamente no emissor, inclusive após o vencimento do boleto;
  • Não há mais necessidade de impressão de segunda-via, com os juros sendo calculados automaticamente pela plataforma;
  • Boletos com inconsistências de dados e valores não serão mais aceitos;

O processo, que teve início em junho de 2017 com a obrigatoriedade do registro de boletos maiores que R$ 50 mil reais, se encerrou no dia 10 de outubro de 2018. A partir de então, todos os boletos tem de ser registrados na plataforma de cobranças.

Qual o resultado do boleto registrado?

“Grandes empresas não terão problema nenhum em absorver os custos extras que os boletos registrados terão”, opina Johan. “Desde que o consumo seja grande o suficiente, o custo pode ser facilmente absorvido pela empresa. Mas para as empresas menores, em que esses custos vão acabar impactando no orçamento, é possível que haja uma migração para outras formas de cobrança”.

André Baldini, entretanto, acredita que não haverá essa migração. “O boleto é um produto muito conveniente. Agora, com o advento do registro, o custo dele subiu, mas ainda é inferior que o cartão de crédito em muitos cenários!”.

Mas, mesmo assim, as empresas buscam alternativas para o aumento dos custos e processos que o boleto sem registro trouxe. A boa notícia é que há soluções para ambas as dores.

“Os grandes bancos estão conseguindo negociar as tarifas. Não cobram taxa de registro de grandes empresas e encarecem a taxa de pagamento”, afirma Carlos Netto, CEO da Matera.

Além disso, contas digitais para empresas e softwares de gestão estão cobrando apenas a taxa de liquidação e, dependendo do volume de transações, também conseguem oferecer valores menores.

Quanto ao problema do aumento de processos, a solução é utilizar tecnologia. “Um bom sistema de gestão vai conseguir automatizar esse processo de remessa e retorno. A empresa não deveria ter que se preocupar com essa burocracia, que tem razão de existir mas não agrega nada no fim”.

Como gerenciar boletos bancários na minha empresa?

Uma das grandes vantagens de oferecer o boleto como principal meio de pagamento da sua empresa está relacionado a previsibilidade da sua receita. O boleto permite que o dinheiro caia na conta em até 3 dias após a liquidação do documento, diferentemente do cartão, em que esse prazo pode chegar a até 1 mês. O fluxo de caixa fica muito mais saudável, podendo haver investimentos maiores para melhorias de processos.

Mesmo com a implantação do boleto registrado, as taxas continuam sendo inferiores às do cartão de crédito, na maioria das vezes. “É muito mais fácil negociar com os bancos descontos nas taxas dos boletos do que descontos nos cartões de crédito”, explica Ricardo Rocha, professor de finanças da Insper. “Esses valores mais baixos na cobrança acabam sendo um grande atrativo para as empresas utilizarem esse meio de pagamento”.

O problema da inadimplência nos boletos

Entretanto, os boletos têm uma taxa de inadimplência muito maior que o cartão de crédito. Isso acontece pelo fato de que, para se pagar o boleto, o cliente tem que realizar uma ação, e liquidar a fatura, algo que acontece automaticamente no cartão de crédito.

“É necessário que você tenha uma plataforma de acompanhamento da cobrança dos seus boletos para não ter problema com a inadimplência”, declara Johan. “É preciso ter uma relação com o cliente que, por muitas vezes, é custosa. Ele tem que ligar, mandar mensagem, acompanhar para entender o porquê do boleto não ter sido pago”.

Uma boa ideia é criar uma régua de cobrança para lembrar o cliente 10 dias antes do vencimento, 1 semana antes do vencimento, 1 dia antes do vencimento e no dia do vencimento. Isso pode ser feito em diversos canais como e-mail, sms, WhatsApp ou ligação telefônica programada (esse em último dos casos).

Para que isso seja feito de forma assertiva, é importante escolher um bom sistema de gestão financeira. Ele irá garantir que todas as mensagens sejam recebidas pelos clientes de uma maneira completamente programável e customizável.

Gestão da segunda via de boletos

Uma outra dor de cabeça das empresas é a emissão de segunda via de boletos. Muitas vezes, boa parte da operação de atendimento da empresa está relacionada a isso: atender clientes que estão com boletos atrasados ou perderam os boletos.

Os sistemas de gestão financeira podem oferecer duas maneiras para resolver esse problema: configuração de uma URA (Unidade de Resposta Audível), que é basicamente permitir que o cliente possa pedir a segunda via por telefone, ou a criação de uma área do cliente, em seu site, para autoatendimento.

Da primeira forma, o cliente solicita ao assistente automático via telefone e ele envia a segunda via do documento por e-mail ou SMS. Na segunda, o cliente acessa o cadastro dele e lá já pode solicitar a segunda via sem contato direto com nenhum atendente.

Utilize um bom sistema de gestão de pagamentos

Há outras funcionalidades em softwares de gestão financeira que facilitam a gestão financeira, como a automatização da conciliação bancária. Com contas digitais para empresas integradas a ERPs, não é necessário baixar e processar os arquivos de retorno ou gerar arquivos de remessa.

Por fim, um sistema de gestão permite enviar notas fiscais de maneira mais segura para o cliente de forma automática ou em massa, com layout incorporado ao exigido em sua cidade.

Sobre a Superlógica

A Superlógica desenvolve o software de gestão líder do mercado brasileiro para empresas de serviço recorrente. Somos referência em economia da recorrência e atuamos nos mercados de SaaS e Assinaturas, Condomínios, Imobiliárias e Educação.

A Superlógica também realiza o Superlógica Xperience, maior evento sobre a economia da recorrência da América Latina, e o Superlógica Next, evento que apresenta tendências e inovações do mercado condominial.

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