futuro do trabalho

Como será o futuro do trabalho?

A pandemia de COVID-19 foi responsável por acelerar mudanças na sociedade, dentre elas a forma de trabalhar. Mas não se trata apenas de aprender sobre home office ou operações remotas, a própria maneira com que os indivíduos estão lidando com seus empregos também está mudando. E você, está preparado para o futuro do trabalho

Essa é uma pergunta importante, sobretudo para empresas de segmentos mais tradicionais, como o mercado imobiliário e condominial. 

Se antes novas tecnologias e certas tendências demoravam para chegar neles, a realidade mudou completamente. Recursos e hábitos estão se transformando com mais rapidez, e os diferenciais competitivos estão se equiparando através da tecnologia.

Gestores precisam aprender novos caminhos, se adaptar a uma nova forma de trabalhar que pode impactar tanto no sucesso do seu negócio, quanto na satisfação de seus próprios colaboradores (e consequentemente evitando a perda de talentos).

“Nós começamos a trabalhar, porque vamos buscar alguma necessidade privada. Normalmente, é aprendizado ou dinheiro. Mas, ao longo do tempo, percebemos que estamos em um lugar público, num ambiente coletivo, que já existia antes de entrarmos, portanto, já havia uma cultura”, afirma Alexandre Pellaes, mestre em Psicologia pela USP, pesquisador de tendências do futuro do trabalho e fundador da Exboss.

Durante o Supelógica Next Live 2020, o palestrante deu um panorama das tendências que gestores de imobiliárias e administradoras de condomínios devem seguir. Leia este artigo e saiba tudo que foi abordado por Pellaes.

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Você verá neste artigo:


A visão atual sobre o trabalho

Antes de entender sobre as tendências, é preciso colocar em perspectiva como lidamos com o trabalho no nosso dia a dia. Habitualmente, observamos o trabalho de maneira imperativa.

“Na sociedade em que vivemos, temos uma visão muito grandiosa sobre o trabalho. Nos referimos ao trabalho com metáforas muito grandes: ‘o trabalho enobrece a alma’, ‘o trabalho é onde eu mato um leão por dia’. Mas nas outras situações de nossa vida privada, dizemos que matar leões é fácil, difícil mesmo é desviar das ‘antas’”. 

Para Pellaes, com esse comportamento estamos aplicando um julgamento sobre as pessoas apenas por serem diferentes, ou seja, pensarem de maneira e em ritmos distintos ao nosso.

Dessa forma, não basta apenas hiperbolizar sua relação com o ambiente de trabalho. Evoluir sua visão sobre o trabalho parte de adequações básicas, como explicar mesmo aquilo que parece óbvio. “O óbvio é um exercício de arrogância, no qual eu acho que você deve saber sobre determinada coisa e chegar à mesma conclusão que eu”, explica Pellaes.

Vivemos um momento de incertezas

“Quando falamos de trabalho, a palavra que é repetida com mais frequência, segundo uma pesquisa da Deloitte, é ‘incerteza’”, informa Alexandre Pellaes.

No entanto, não há por que avaliar esse momento exclusivamente como algo negativo. De acordo com o palestrante, a incerteza faz parte de sermos humanos. É através das dúvidas e da presunção de que se há muito a descobrir que podemos inovar.

E isso não se trata apenas de um conceito contemporâneo, Pellaes trouxe dois conceitos para sustentar sua ideia:

“Só sei que nada sei…” – Sócrates, filósofo grego e pai da maiêutica

“Se você não está confuso, é porque está mal informado” – Millôr Fernandes, escritor, jornalista, dramaturgo e humorista.

Segundo Pellaes, “certeza é a afirmação de uma realidade ou um futuro possível, como certo!”. O pressuposto sobre a certeza e a afirmação categórica de que algo é verdade soa como expressão de prepotências, arrogância ou ingenuidade.

Por isso, não devemos cultivar certezas, mas sim valores, ou seja, seus aquilo em que você acredita, sua visão de mundo e seu posicionamento ético.

Mundo V.U.C.A.

Nem tudo faz parte de uma nova descoberta ou uma revolução tecnológica, às vezes são apenas elementos inesperados que aceleram o processo de transformação digital – como a pandemia de COVID-19.

Com esse ritmo, é difícil nomear tudo que acontece. Assim, criou-se uma terminologia para identificar a velocidade das mudanças: o Mundo V.U.C.A. Trata-se de uma sigla composta por quatro termos que definem o nossa sociedade – todos em inglês: 

  • Volatile (volátil) – Tudo muda muito rápido e o alcance disso é muito amplo;
  • Uncertain (incerto) – Há sempre um grande componente de inovação e constantes mudanças de variáveis. Ou seja, se fizer hoje algo igual ao que fiz no passado, o resultado poderá não ser o mesmo;
  • Complex (complexo) – Existe uma “infinidade” de variáveis espalhadas, como se fossem fios entrelaçados, sem saber a finalidade de tudo;
  • Ambiguous (ambíguo) – Não cabe apenas uma resposta. Diferente do que aprendemos desde pequenos, que é buscar apenas uma resposta (e não necessariamente a certa, mas sim a que o nosso líder hierárquico vê como correta).

Essa definição, no entanto, já existe a um certo tempo. Para Alexandre Pellaes, há outros dois termos que precisam ser adicionados à sigla, transformando-a em M.U.V.U.C.A..

  • Meaningful (significativo) – Queremos um mundo que faça sentido, em que o propósito tenha conexão com as nossas atividades;
  • Universal – Queremos que o benefício da nossa ação não seja positivo a apenas um grupo fechado. Queremos que isso se expanda por toda nossa empresa, cidade, país ou até pelo mundo… 

Para Pellaes, esse mundo diferente, por mais complicado que seja para se adaptar, é muito mais cativante. “Ele permite que sejamos mais nós mesmos. Aquele mundo que existia antes era linear e sem graça, no qual penduramos a alma assim que chegávamos no escritório para bater o cartão”.


A nova realidade do mercado de trabalho

Antes de se preocupar em como se adaptar às mudanças que estão por vir, basta fazermos o exercício básico de olharmos para a atualidade. “Os 10 empregos mais procurados atualmente não existiam 10 anos atrás”, afirmou Alexandre Pellaes.

E a tendência é que isso continue num futuro próximo. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, 65% das crianças que começam o primário hoje, trabalharão em empregos ou novas profissões que ainda não existem

Finalmente, em um levantamento da Universidade de Oxford, estima-se que 50% da força de trabalho humana será substituída por robôs e softwares em 20 anos. 

Porém, não se deve olhar para esse fato com pessimismo. Não quer dizer que metade da população vai perder os empregos. O esperado é que metade das atividades desempenhadas hoje, tem um nível de complexidade e criatividade tão pequeno que rapidamente serão substituídas por um software, robô ou inteligência artificial.

Assim, não bastará apenas sentar-se e esperar passivamente a transformação chegar – para então correr atrás do prejuízo. “O mundo hoje é como uma esteira – em constante movimento – devemos continuar caminhando, pois quem para fica para trás. Isso significa aprender algo novo e colocar esse algo novo em prática”, afirma Pellaes.

Mudança x transição

Em tal contexto, incluindo o que observamos durante a pandemia de COVID-19, o mercado deve considerar a atualidade como um período de atualização para nossa visão de mundo. E dentro disso precisamos compreender a diferença entre mudança e transição.

De acordo com Pellaes, mudança é é um evento, algo externo que acontece no nosso entorno e não temos controle sobre. Num segundo momento, desenvolvemos nossa interpretação dessa transformação e isso se chama transição.

É neste segundo momento que descobrimos novos processos, passamos por uma reorientação psicológica. Ou seja, há um aspecto mais internalizado, que acontece em momentos diferentes de formas diferentes.

O modelo de transição de William Bridges

Para explicar esse conceito, Alexandre Pellaes apresentou o modelo de transição de William Bridges. Veja abaixo!

Neste esquema faz-se uma relação no ciclo de transição entre a passagem do tempo e as porcentagem das pessoas que se adaptam (ou da produtividade no período). Essencialmente, as pessoas – e negócios – passam por três fases:

  • Inicialmente, as pessoas se concentram nos términos (endings). Comumente associam-se sentimentos mais negativos como confusão em relação às mudanças, teimosia para manter-se nos modelos antigos;
  • Em seguida, há um momento de transição chamado de zona neutra. Mesmo que ainda exista confusão, as pessoas já entenderam mudanças estão ocorrendo, mas ainda não sabem como prosseguir;
  • Finalmente, há os novos começos, que é a fase final, com grande energia, alívio, aprendizado e conquistas.

A existência de três fases distintas não implica que um indivíduo, ou empresa, vá transitar gradualmente entre elas. Como o gráfico acima demonstra, desde o início, já existem aqueles poucos indivíduos que saem na frente durante a transição.

Se ao analisar sua situação, você se considera na zona neutra, ainda com muitas dúvidas e incertezas, não há porque se preocupar. O que não pode ocorrer é se conformar. Essa é a sua oportunidade para acelerar a transição, aprendendo e associando-se àquelas soluções e autoridades inovadoras.

Precisamos falar de relações humanas

“Quando paramos para pensar na maneira em que enxergamos nossa relação com o trabalho, é possível verificar que nos últimos anos gastamos muita energia analisando as relações do ser humano com os robôs”, explica Pellaes. 

De acordo com o especialista em tendências do trabalho, com a chegada da pandemia a preocupação mudou. Ficou evidente que precisamos entender melhor as relações do ser humano com o próprio ser humano e com o mundo do trabalho.

“Isso começou a nos trazer um vazio. Faz sentido fazer as coisas como antes? Não sei qual vai ser o futuro do trabalho, que é algo que deveria me realizar. Tem gente que amou o home office, tem gente que odiou…”, pontua o pesquisador. Ele ainda complementa, “o trabalho que é o lugar que deveria nos dar superpoderes, às vezes nos cansa, nos irrita”.

Pellaes destaca que precisamos mudar nossa visão em relação ao trabalho. Precisamos deixar de enxergá-lo como a kryptonita e passar a interpretá-lo como nosso superpoder. Ou seja, vê-lo da seguinte maneira:

Amor e o trabalho (não o emprego) são os pilares da humanidade. – Sigmund Freud, pai da psicanálise

A diferença entre trabalho e emprego

Para desmistificar o posicionamento negativo que muitos atribuem ao trabalho, é fundamental entender que: trabalho e emprego NÃO são a mesma coisa

“Na maioria das vezes, quando nos referimos a trabalho, estamos na verdade falando do nosso emprego. O que chamamos de trabalho até hoje é um compromisso de horas, de entrada e saída em um determinado lugar. Mas isso não é trabalho”, explica Pellaes.

O pesquisador define os dois termos da seguinte maneira:

Trabalho é a sua relação com o mundo por meio da ação. Essa ação é incerta, imprevisível, complexa e realmente produtiva. “Toda vez que você enxerga, no mundo, uma possibilidade de interação sua, por meio da ação, e você a realiza, isso é trabalho”.

Podemos entender isso de forma próxima à ética aristotélica, na qual a “arte de viver”, ou o “bem-viver”, se faz através de uma ação virtuosa. Esta última é manifestada no trabalho, que é algo que visa o bem comum, busca pela felicidade e deve ser algo almejado pelo ser humano.

Emprego é a sua relação com uma liderança, com a existência de uma hierarquia, que possui expectativas. Ela é linear, previsível, simplificada e pode se tornar falsamente produtiva.

Esse é um conceito ao qual somos apresentados muito cedo. É através da autoridade de nossos pais e professores que passamos a entender sobre as relações de emprego na sociedade.

Obviamente, não se trata de algo negativo, afinal é um conhecimento necessário. Mas, isso nos liga o sinal de alerta para interpretar o que deve ser mudado nas relações de emprego, que nos faz muitas vezes fingir que trabalhamos e “perder a nossa autenticidade”.

O impacto do trabalho na sua vida

O trabalho não é apenas uma forma de ganhar sustento, o insumo financeiro. “O trabalho é como uma grande impressora 3D. Através do que faz, da maneira que faz, você imprime no mundo a pessoa que realmente é”, explica Pellaes.

Existem três grandes impactos desse aspecto na nossa vida:

  • Sustento (financeiro);
  • Social (o impacto que você deixa na vida das pessoas);
  • Psicológico (quem é você por meio do trabalho que desempenha? Qual a história que está escrevendo por meio dele?).

Segundo o fundador da Exboss, isso automaticamente nos indica que: o trabalho tem cada vez menos papel de sobrevivência e cada vez mais impacto na nossa expressão e contribuição no mundo.

Mudando as práticas para o futuro do trabalho

Para transformar suas relações com o trabalho, focando na autoexpressão e na contribuição, precisamos mudar práticas que executamos há anos. 

Alexandre Pellaes sugere que superemos o modelo de gestão clássico, que se assemelha a uma escola tradicional. Isso significa deixar de pautar sua maneira de liderar na concentração de poder em uma figura detentora do conhecimento (e que absorve os louros do trabalho), passando para um modelo comunitário.

Para isso você precisa saber dimensionar duas preocupações: negócios e pessoas. O que se vê normalmente, é a priorização do primeiro em detrimento do segundo. Mas para evoluir sua maneira de trabalhar é necessário encontrar um ponto de equilíbrio entre os dois.

O palestrante representou isso através de uma releitura da matriz de liderança criada por Blake e Mouton. O exemplo que você vê abaixo é uma representação do original.

Liderança empobrecida

O primeiro exemplo é um caso extremo de despreocupação, não há sensibilidade com os resultados ou com as pessoas. O resultado é uma desconexão total com o trabalho e uma liderança ausente.

Nesse contexto, os funcionários são infelizes e as chances de mantê-los ou obter sucesso com o negócio são escassas.

Liderança produza ou morra

Esse modelo é marcado pela autoridade e obediência, centralizado na figura de um líder interessante. “Interessante”, pois ele é a figura que domina o conhecimento e as decisões de quais caminhos os funcionários devem seguir.

A forma de trabalhar, aqui, é sob pressão. Ou seja, resultados são a única preocupação, assim como não há uma forma interdisciplinar de operar, cada departamento trabalha por si. 

A palavra que melhor define essa abordagem é o microgerenciamento. E isso até pode funcionar por um tempo, “mas não é sustentável neste mundo M.U.V.U.C.A”, lembra Pellaes.

Liderança em equipe

Quando se há uma preocupação mútua com o bem-estar das pessoas e o desenvolvimento nos negócios, alcançamos uma liderança em equipe. E isso não significa eliminar cargos ou hierarquias, mas criar um sistema mais participativo. Assim, a empresa se beneficia com mais mentes pensantes e os funcionários se sentem mais parte de algo.

Esse modelo é marcado pela conexão entre os times – dentro e fora do mesmo departamento – e o trabalho flui com mais facilidade. Além disso, o líder passa a ser uma figura presente e interessante, não sendo mais um grande detentor do poder e sim uma peça que auxilia no desenvolvimento de tudo e de todos.

Liderança clube de campo

Se por um lado salientamos a necessidade de empresas e gestores se preocuparem mais com as pessoas, não se pode concentrar todos os esforços nesse elemento. Quando se passa a deixar os negócios de lado, surge a liderança clube de campo.

Trata-se de um modelo contraproducente. Nele, as pessoas não trabalham muito, os líderes tornam-se instáveis e pouco participativos. Inicialmente, todos parecem estar felizes, mas, além dos malefícios aos resultados do negócio, as pessoas deixam de ser desafiadas e consequentemente estagnam no seu desenvolvimento profissional.

Contexto e relações

Paralelo à relação entre negócios e pessoas, também é necessário atrelar o contexto e as relações na nova maneira de gerir uma empresa. “Quando falamos da nossa composição de trabalho, que se mescla com a nossa vida pessoal, enxergamos claramente que somos maiores que um crachá”, pontua Pellaes.

Se olhar para sua descrição de cargo, certamente concluirá que você faz e contribui muito mais à empresa do que diz ali. De acordo com o pesquisador, isso ocorre pois somos pessoas complexas, e quando aceitamos e projetamos quem realmente somos, abrimos as portas para as oportunidades.

E isso é um lembrete não apenas aos colaboradores, mas aos próprios empresários e lideranças. No mercado de imobiliárias e administradoras de condomínios, por exemplo, existem muitas empresas familiares, em que tarefas e responsabilidades por resultados se concentram muito nas mãos dos donos e sócios.

A dica de Pellaes é abandonar esse costume, “a gestão acontece de forma conjunta, com todas as pessoas que são impactadas no dia a dia por aquela organização”.

Tecnologia social

A melhor maneira de deixar o modelo antigo, no qual a administração parte de uma única figura, é adotar algo nos modelos da tecnologia social.

Pellaes sugere que sigamos algo parecido com o funcionamento do aplicativo Waze. Nele, um algoritmo junta as recomendações e notificações enviadas pelos motoristas para montar as melhores rotas, unindo inovação e inteligência coletiva.

No contexto de uma empresa, o líder cumprirá o papel do algoritmo. “Receba todos os inputs, ouça todas as vozes e ajude a desenhar os caminhos”, recomenda o fundador da Exboss.

O modelo de iniciativa e disciplina

Com tecnologia e participação podemos superar um modelo tradicional de escritório que se pauta na obrigação e obediência. O novo objetivo é trabalhar com iniciativa e disciplina.

Essa necessidade de mudança e reaprendizado ficou evidente para quem praticou o trabalho remoto durante a pandemia. 

Muitos pensaram que teriam mais disciplina ao trabalhar em casa, pois o faziam sem problemas na empresa. O que acontecia, na verdade, era o costume de operar de forma obediente e sob vigilância, quando exigiu-se autogestão, muitos demoraram para se adaptar.

Segundo Pellaes, nessa transição precisamos aprender a rebalancear nossas relações entre trabalho, responsabilidades, disciplina e casa com protagonismo. Ou seja, devemos operar com coragem, estratégia, planejamento e respeito.

Aplicando um protagonismo real na sua vida e na sua empresa, que não tenha sarcasmo, você vai descobrir 3 tipos de pessoas: 

  1. As pessoas que fazem as coisas acontecerem;
  2. As pessoas que observam as coisas acontecerem;
  3. As pessoas que perguntam “o que aconteceu?”.

Com essas três personas em mente, você deve se perguntar: qual delas gostaria de ser? Nada o impede de ser, hoje, a pessoa 2 ou 3. Para superar essa realidade é preciso seguir uma jornada de autoconhecimento.

Cuidados para se tomar na busca por autoconhecimento

Quando paramos para olhar dentro de nós mesmos, encontramos a negação. Falso controle. “Temos dificuldade em aceitar algumas características (nossas), que não achamos tão legais”, afirma Pellaes.

Nessa transição por uma maneira nova e mais eficiente de trabalhar, devemos deixar de buscar pelo (falso) controle sobre as situações. “Não adianta querer ficar olhando se uma pessoa está desempenhando suas funções ou não, no final do dia o resultado será o mesmo”.

Outro cuidado a ser tomado é a busca por um “chamado”, uma orientação quase que divina. Na ânsia de ter ou fazer algo no qual se tem virtualmente o controle de todas as variáveis, pode virar uma desculpa para fazer as coisas com conforto.

E, finalmente, deve-se tomar cuidado com o falso discurso de igualdade. Pellaes, novamente, trouxe o exemplo da prática do home office durante a pandemia:

“Muitos homens, na mudança para o home office, se fecharam em uma sala para trabalhar e deixaram toda a administração do lar para suas companheiras”. Enquanto isso, do outro lado da moeda, as mulheres continuaram conciliando sua vida profissional e familiar em concomitância.

O pesquisador, entretanto, alenta ao dizer que esse esse não é o trabalho remoto do futuro. As dificuldades impostas pela pandemia eventualmente vão passar, “a escola vai voltar. O que precisamos, no fim das contas, é adotar os posicionamentos e os aprendizados apontados anteriormente neste artigo: um novo modelo de liderança e disciplina.

Conclusão

Para concluir, Pellaes trouxe três considerações importantes. A primeira é uma frase do escritor e filósofo Ralph Waldo Emerson:

“O que você faz fala tão alto, que eu não consigo escutar uma palavra do que você fala.”

E, finalmente, dois motivadores para fazer o seu melhor:

  1. Você nunca sabe até onde o seu melhor trabalho poderá chegar
  2. Há sempre alguém se espelhando em você

Todas as noções apresentadas neste texto estão ligadas ao propósito. E não se trata de algo mágico que precisamos encontrar, “nós criamos nosso próprio propósito”.

E lembre-se: propósito e motivação não são a mesma coisa. Motivação é algo que imprime o conhecimento o porque você faz o que faz. “Propósito tem menos a ver com ‘salvar o mundo’ e mais a ver com reconhecer você, sua essência e seu impacto sobre os outros, por meio da ação”.

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Sobre a Superlógica

A Superlógica desenvolve o software de gestão líder do mercado brasileiro para empresas de serviço recorrente. Somos referência em economia da recorrência e atuamos nos mercados de SaaS e Assinaturas, Condomínios e Imobiliárias.

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