Inadimplência escolar: como cobrar atrasos de pais e alunos

Em momentos de recessão econômica a população sofre um efeito direto no seu poder de compra. Adicione as altas taxas de desemprego, e isso acaba culminando na necessidade da população decidir quais contas irão pagar, e principalmente as que não irão pagar.

Tal cenário influencia diretamente num dos grandes medos dos gestores de escolas, faculdades e cursos livres, a inadimplência escolar.

Essa realidade sempre existirá em negócios que cobram mensalidades. Portanto, é preciso aprender a identificar quando as taxas de falta de pagamento dos seus clientes estão muito altas e desenvolver um planejamento para combatê-las.

Taxas de inadimplência que ultrapassem os 10% podem ser muito perigosas para a sua gestão financeira. Num quadro crítico surgirão dificuldades nos custos operacionais, no desenvolvimento pedagógico, na manutenção, chegando até à inevitabilidade de um corte de funcionários.

Também não se pode cobrar de qualquer jeito. Para aumentar a probabilidade de quitar essas dívidas existem técnicas e práticas ideais.


Os números da inadimplência escolar no Brasil

O país encerrou novembro de 2018 com 63,1 milhões de inadimplentes, esses foram os dados publicados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), e que naturalmente têm influência no setor da educação.

Quando em face de dificuldades financeiras, pais e alunos precisam escolher as prioridades na hora de desembolsar. Normalmente os atrasos mais comuns são em faturas de cartões de loja, cartões de crédito, cheque especial e empréstimos de bancos.

As mensalidades das instituições de ensino também não são vistas como prioridade. Em dados divulgados pelo SPC, 66% dos entrevistados que diziam ter compromissos financeiros com escola ou faculdade estavam com os pagamentos em dia. Ou seja, 34% atrasaram seus compromissos.

As menores porcentagens são as chamadas de necessidades básicas, ou urgências: plano de saúde (7%), condomínio (11%), aluguel (16%), internet/TV por assinatura (17%) e contas de água e de luz (20%).

Dentro do segmento educacional, o ensino superior tem o maior número de dívidas, com participação de 43.5% na fatia do setor em 2015. Em seguida vêm as outras atividades de ensino (33.7%) – como inglês ou música, por exemplo – e o ensino básico (15%) – Infantil, Fundamental e Médio.

Por que seus clientes estão lhe devendo?

Antes de saber como cobrar é preciso entender o motivo do endividamento dos seus clientes, afinal são situações diferentes para cada um. Não se pode ter uma mesma abordagem para todos, pois nesse processo você pode perder um contribuidor de longa data que estava apenas passando por um momento complicado.

O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp) define dois tipos de devedores:

  1. Primeiro há o devedor passivo, que fica inadimplente por falta de recursos financeiros. Algo muito comum em períodos de recessão econômica e escassez de empregos.
  2. Também há o devedor ativo, aquele que tem receita o bastante para cumprir com as mensalidades, mas não o faz pois sabe que poderá negociar um acordo por um valor mais baixo.

Como devo cobrar os pais e alunos?

Sabendo a causa da falta de pagamento é possível traçar estratégias, montar planos de acordo para situações específicas e evitar atitudes precipitadas.

Agora, só resta efetivamente cobrar o indivíduo. Não é necessário nem ser muito duro, nem complacente demais, para tudo há uma dosagem certa.

Entretanto, mesmo dentre as individualidades existem práticas em comum que servem para fazer o ato da cobrança mais pontual e otimizado.

Fique de olho na legislação!

Não quebrar a lei parece ser uma constatação óbvia, mas principalmente para novos negócios é possível que não se tenha completa ciência de suas obrigações legais.

No caso de escolas, cursos livres e instituições de ensino superior é importante saber, por exemplo, que o aluno não pode sofrer sanções pedagógicas ou qualquer constrangimento. Também não se pode desligar o aluno antes do fim de seu ano letivo – ou o período que o contrato determina. No entanto, é reservado à escola o direito de recusar a rematrícula do devedor.

Lembre-se sempre de recorrer à consultoria de um especialista para não se surpreender com uma ação judicial no futuro.

Delegue a cobrança

Não deve ser papel do diretor ou qualquer figura da gestão entrar em contato com os inadimplentes. Pessoas nesses postos estão constantemente em diálogo com quem contratou seus serviços, sejam pais ou alunos, e essa proximidade pode complicar a negociação.

O indicado é atribuir a alguém a função de fazer esses tipo de atendimento. Preferivelmente essa pessoa não tem uma relação habitual com os clientes, e tem treinamento adequado para passar informações e argumentar sobre as pendências.

Outra opção é contratar uma empresa especializada nesse tipo de serviço. Com a vantagem de que você só os pagará integralmente quando receber os valores da dívida.

Negocie acordos

Mesmo sendo necessário ter empatia pelos clientes, que por falta de recursos não puderam pagar seus vencimentos, isso não significa que deva deixar de cobrá-los. Assim, a negociação aparece como alternativa viável.

Em determinados momentos negociar um parcelamento, abrir mão de juros e oferecer outras facilidades pode ser mais vantajoso do que deixar a dívida correndo.

Nesses casos faz-se vital um plano de acordos pré-determinado. Ou seja, uma espécie de roteiro para saber os limites dessa conciliação, bem como as circunstâncias em que determinadas ofertas podem ser feitas.

Busque seus direitos

Se há a legislação protegendo os devedores, certamente existem leis para os credores não ficarem de mãos abanando. Se as suas notificações não funcionarem, recomenda-se buscar as possibilidades dispostas na justiça para assegurar de que tudo será pago:

  1. Protesto de título em cartório: esse recurso serve para a sua instituição notificar à justiça que um pagamento não foi efetuado. Assim o devedor fica com o “nome sujo”, e se não quitar suas pendências em tempo entrará no cadastro do Serasa Experian.
  2. Câmaras de conciliação: o inadimplente será chamado para comparecer a uma reunião com representantes da escola. Esta será conduzida por um especialista em mediação para que ambos cheguem num acordo.
  3. Ação Judicial: enfim, há a medida de última instância, ir à juízo contra o endividado. Para isso, dependendo do quanto está sendo requerido, pode-se ou não contratar um advogado particular para lhe representar.

Automatize os processos da cobrança

Personalizar não é a mesma coisa que fazer tudo manualmente. Antes mesmo de ser necessário recorrer ao Judiciário, contratar um software de gestão financeira vai agilizar os processo e diminuir as chances de inadimplência involuntária – por conta de esquecimento.

Utilizando uma régua de cobrança, você conseguirá organizar seus valores a receber, poderá emitir boletos online, enviará lembretes personalizados para os momentos mais oportunos e terá um mapeamento de todos os pagamentos.

Com essas funcionalidades você tem uma ferramenta para armazenar as informações cruciais e agir diretamente para prevenir mais problemas.

Sobre a Superlógica

A Superlógica desenvolve o software de gestão líder do mercado brasileiro para empresas de serviço recorrente. Somos referência em economia da recorrência e atuamos nos mercados de SaaS e Assinaturas, Condomínios, Imobiliárias e Educação.

A Superlógica também realiza o Superlógica Xperience, maior evento sobre a economia da recorrência da América Latina, e o Superlógica Next, evento que apresenta tendências e inovações do mercado condominial.

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