educação financeira nas escolas

Educação financeira deve chegar nos colégios particulares em 2020

A educação financeira nas escolas nunca foi uma prioridade, porém isso já não é mais uma escolha. De acordo com as determinações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o ensino dessa competência agora é obrigatório no ensino infantil e  fundamental.

O parecer do Conselho Nacional de Educação, homologado pelo MEC, diz que as redes de ensino devem estar adaptadas já em 2020. Assim, seja a escola pública ou particular, há a necessidade implementar as aprendizagens essenciais sobre finanças.

A estratégia do governo é que desde cedo os cidadãos aprendam a gerir seus ganhos e despesas. Além disso, há a possibilidade de influenciar no comportamento dos pais. De acordo com a Associação de Educação Financeira do Brasil, 24% das crianças que receberam aulas de educação financeira passaram a falar com os pais sobre o assunto.

O Brasil conta com mais de 63 milhões de inadimplentes, segundo os últimos levantamentos do Serasa Experian. Esse número é maior que a população total da Colômbia (45,7 milhões), segunda maior da América do Sul.

O ensino de gestão de recursos pessoais e gastos é uma das atividades fundamentais para subverter essa realidade.

“Há hoje mais espaço para o empreendedorismo individual, em todas as classes sociais, e cresce a importância da educação financeira e da compreensão do sistema monetário contemporâneo nacional e mundial, imprescindíveis para uma inserção crítica e consciente no mundo atual”, segundo o texto original da BNCC.

Veja neste artigo:

        1. O que é a BNCC?
        2. Por que educação financeira nas escolas é importante?
        3. O papel das instituições de ensino particulares
        4. Aplicando educação financeira de acordo com a BNCC
          1. Ensino infantil
          2. Ensino fundamental
        5. Guia de links para a BNCC e Leis que a orientam

O que é a BNCC?

A Base Nacional Comum Curricular é o documento que estabelece as aprendizagens essenciais a serem trabalhadas durante o ensino básico. Não se trata de um currículo a ser seguido, mas sim de diretrizes que orientam como as escolas devem montá-los.

A ideia é integrar e diminuir a desigualdade do ensino brasileiro com a definição de habilidades, conhecimentos e competências que todos os estudantes devem ter acesso.

Apesar de ter sua elaboração iniciada em 2015, a BNCC faz parte de um planejamento bem maior. Sua criação foi viabilizada pela Lei de Diretrizes e Bases na Educação Nacional (LDB) de 1996. E os preceitos éticos, políticos e estéticos seguidos estão fundamentados nas Diretrizes Nacionais Curriculares da Educação Básica (DCNs).

Entre 1997 e 2000, a partir das DCNs, foram criados os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Estes são diretrizes para educadores, com a finalidade de normatizar elementos fundamentais das disciplinas.

Finalmente, em 2014, foi aprovado o segundo Plano Nacional de Educação (PNE) – o primeiro foi criado em 1996 e vigorou entre 2001 e 2010. O novo plano foi aprovado através da Lei Nº 13.005/2014 e tem vigência de mais dez anos.

Foi através deste último item que entrou em prática a criação da BNCC. A configuração e implantação da Base Nacional Curricular compõe as estratégias de três das metas do PNE:

  • Meta 2: universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda a população de seis a quatorze anos e garantir que pelo menos 95% dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada;
  • Meta 3: Universalizar o atendimento escolar para toda a população de quinze a dezessete anos e elevar a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%;
  • Meta 7: Fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem.

A importância da educação financeira nas escolas

Mais de 40% da população adulta têm contas atrasadas. Além das ações diretas tomadas por instituições de ensino, como réguas de cobrança, e órgãos de proteção ao crédito, é importante ensinar a planejar o futuro.

Este é apenas um dos valores gerais de aplicar a educação financeira desde os anos iniciais da vida escolar. Quanto mais cedo os cidadãos reconhecerem a lógica por trás das finanças pessoais e puderem interpretá-las, melhor será o preparo para quando se tornarem adultos economicamente ativos.

Além de ensinar aos estudantes como pesar seus gastos a curto e médio prazo, existem reflexos quase que imediatos. Ensinamentos sobre assuntos cotidianos são normalmente levados para casa pelos alunos. Ou seja, os jovens também se tornarão um canal para conscientizar pais e responsáveis.

Saber mais sobre finanças precisa ser um dos focos indispensáveis das escolas. Na Pesquisa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), o Brasil foi o último colocado na categoria competência financeira

O papel das instituições de ensino particulares

As primeiras versões da Base comum curricular passaram por diversas mudanças até chegar no documento atual. O Conselho Nacional de Educação (CNE) e diversas escolas particulares participaram ativamente com críticas e sugestões de mudança no texto.

A princípio, não aplicar a BNCC na construção do Plano Político Pedagógico não implica em multa para as instituições de ensino privado. O documento explicita diretrizes para orientar a aprendizagem no ensino básico, e que serão implantadas no ensino público. No entanto, a participação dos colégios particulares é fundamental para o plano do Governo Federal de diminuir a desigualdade no acesso à educação.

O prazo para a implantação é 2020 e, concomitantemente, acontecerão mudanças para viabilizar os novos currículos. Preparo de professores e atualização de materiais didáticos estão entre os principais desafios.

Aplicando educação financeira segundo a BNCC

A educação financeira não é, necessariamente, uma disciplina que deve ser incluída na grade curricular do aluno. Na verdade, o que a BNCC prevê para os níveis infantil e fundamental é o ensino dessa competência de maneira transversal às áreas do conhecimento.

Ensino Infantil

No ensino infantil, o documento indica cinco campos de experiências que os alunos precisam aprender:

  • O eu, o outro e nós;
  • Corpos, gestos e movimentos;
  • Traços, sons, cores e formas;
  • Escuta, fala, pensamento e imaginação;
  • Espaços, tempos, quantidades e transformações.

Este último, é onde se encaixam preceitos da educação financeira. A criança deve sair dessa etapa de ensino sabendo:

  • Identificar, nomear adequadamente e comparar as propriedades dos objetos, estabelecendo relações entre eles;
  • Utilizar vocabulário relativo às noções de grandeza, espaço e medidas como meio de comunicação de suas experiências;
  • Utilizar unidades de medida e noções de tempo, para responder a necessidades e questões do cotidiano;
  • Identificar e registrar quantidades por meio de diferentes formas de representação.

Todos esses elementos são importantes para a progressão do ensino de finanças nas séries posteriores.

Ensino fundamental

Já no ensino fundamental como um todo há um esforço mais ativo para ensinar conceitos de economia e finanças. Na área de matemática, sobretudo, é importante apresentar tais conceitos.

De acordo com a BNCC, para aplicar essa aprendizagem “podem ser discutidos assuntos como taxas de juros, inflação, aplicações financeiras (rentabilidade e liquidez de um investimento) e impostos”.

Entretanto, a educação financeira não deve se restringir ao ensino cru da matemática. “Essa unidade temática favorece um estudo interdisciplinar envolvendo as dimensões culturais, sociais, políticas e psicológicas, além da econômica, sobre as questões do consumo, trabalho e dinheiro”.

Sugere-se, assim, um ensino interdisciplinar, que “navegue” entre as áreas do conhecimento. A interpretação das relações entre dinheiro, finanças e o capital financeiro com aparece em quatro das cinco: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas 

Links para a BNCC e Leis que a orientam

Quer conhecer mais profundamente a Base Nacional Curricular e as leis que orientam sua existência e validade? O time do Superlógica Educacional fez uma lista com os principais links para você acompanhar!

Base Nacional Comum Curricular – online e PDF;

Artigos 205 e 210 da Constituição Federal de 1988;

Lei de Diretrizes e Bases na Educação Nacional – Lei nº 9.394/1996;

Diretrizes Curriculares da Educação Básica;

Parâmetros Nacionais Curriculares;

Plano Nacional de Educação – Lei Nº 13.005/2014.

Sobre a Superlógica

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