Entrevista com Júlio Paim, Sindiconet: o que muda para síndicos e administradoras?

A maioria dos síndicos e condôminos está insatisfeita com as administradoras de condomínios em São Paulo. É o que releva um censo, feito a cada dois anos, pelo Sindiconet, portal que recebe uma média de 1 milhão de visitantes por mês.

Focado em apoiar a relação entre síndicos e administradoras de condomínios de todo o Brasil, o Sindiconet identificou, em seu último censo, que 51% dos síndicos avaliam as administradoras de condomínio com notas de 0 a 6. “Esse nível de insatisfação alto é um dado que não se via no passado”, afirmou Julio Paim, fundador do Sindiconet e um dos palestrantes do Superlógica Next, evento que discute o futuro da administração de condomínios e já passou por diversas cidades do país.

Paim afirma que vê o resultado deste último censo como uma preocupação. “Esse condômino mais exigente também não está entendendo essa mudança que está acontecendo no mercado e não entende qual é o papel do síndico profissional e o papel da administradora”, aponta.

Apesar da preocupação, é possível enxergar essa insatisfação de maneira positiva. Segundo Paim, essa é uma época de grandes oportunidades para as administradoras.

Entenda como aproveitar esse momento de transição na entrevista que o Blog da Superlógica fez com Paim.

O que você vai ler nesta entrevista:

O que é o portal Sindiconet?

JP: O Sindiconet nasceu no começo da internet em 1996, e desde o início ele sempre teve uma proposta e um foco muito claro em trazer ao síndico informações de qualidade de uma forma imparcial e ao mesmo tempo também trazer para esse público segmentado facilidades e recursos. Hoje, por exemplo, a gente tem cursos online e também toda uma plataforma de cotações de produtos e serviços para condomínios. E lembrando que o portal é gratuito e só alguns serviços são pagos como os nossos cursos online de capacitação.

Qual é o perfil do síndico hoje e o perfil do síndico no futuro?

JP: A gente vê essa atividade do síndico passando por uma transição que deve durar por mais um ou dois anos até que comece a se estabilizar, principalmente com a chegada dos síndicos profissionais. Esses fazem a gestão dos condomínios como se fossem uma empresa, com uma pegada mais profissional.

O síndico atual ainda tem muito amadorismo, existe muito síndico residente sem muita experiência porque ele quer ajudar, fazer o condomínio dele melhorar, fazer com que as contas fiquem melhoradas e fazer valer o seu patrimônio.

Por outro lado a gente percebe que a massa condominial tem ficado cada vez mais exigente e isso vem demandando mais experiência destes síndicos, por isso começou a ter essa tendência de uns anos para cá pelo síndico profissional e isso vai aumentar.

Considerando o perfil de síndico hoje ele está bem variado, incluindo desde o síndico amador até aquele síndico super profissional e o síndico que se diz profissional, mas ainda não tem a capacitação necessária e isso acaba gerando inclusive uma frustração aos condôminos.

“Hoje em dia esse perfil variado até que atende boa parte das expectativas dos condomínios, mas a gente entende que isso vai mudar porque a exigência está sendo cada vez maior.”

 

Eu não vejo no futuro um síndico que não tenha capacitação e não faça bom uso de tecnologia, não tenha conhecimento para que ele possa usar novas ferramentas a seu favor para que ele possa atender essas demandas crescentes. E é possível enxergar sim, um novo síndico mais profissional que vai enxergar o condomínio como se fosse uma empresa. No futuro, se ele não tiver esse perfil, dificilmente vai conseguir se sustentar e muitas vezes vai até pedir para sair devido a tamanha complexidade.

Júlio Paim em uma das edições do Superlógica Next.

Quais são os principais problemas enfrentados pelos síndicos?

JP: Uma máxima de anos de mercado é o famoso conjunto de 4 C´s: Cachorro, Criança, Cano e Carro e infelizmente a gente não vê muita mudança. Os problemas de 10 anos atrás são os problemas de hoje em dia também. Só que eu colocaria mais um C aí de Condôminos, não que condômino seja um “problema”, mas o síndico precisa ter habilidade para lidar com eles, que refletem em todos os outros problemas de fato.

Esse novo C que está surgindo é justamente o relacionamento com a massa condominial. A partir do momento que o condomínio começa a ficar mais caro, de dez anos para cá, essa massa condominial naturalmente começa a exigir mais do síndico e da gestão, no caso a administradora de condomínio. Essa exigência vem trazendo cada vez mais dificuldades para o síndico que não tem: perfil de liderança, comunicação com os condôminos e facilidade no uso de novas tecnologias.

“Além dessas exigências, os comportamentos dentro dos condomínios vem mudando.”

 

A gente vê transformações, como por exemplo, a portaria remota, uma tendência que veio para ficar e o síndico tem que ficar atento a isso. As votações para portaria remota, no exemplo, tem sido acirradas, ela é aprovada pela maioria, mas mesmo as que votaram a favor, ficam ainda receosas.

Nesse caso, entra o trabalho do síndico para organizar toda essa mudança no condomínio, tanto de estrutura como de comportamento. As coisas vão ficando mais complexas, sem falar nas legislações com mais exigência a cada dia. O síndico amador não vai se sustentar nesse cenário.

 

Como é feita a gestão de condomínios hoje?

JP: No Superlógica Next, passando por várias cidades pelo Brasil, a gente pode ver a diferença de atendimento em cada região, com o uso da administradora ou não. Em São Paulo, por exemplo, é primordial o serviço de uma administradora, a presença dela, em outras regiões também, mas um pouco menos e isso vai variando de região para região.

Mas um ponto interessante desse mercado é que a administração de condomínios está sofrendo uma mudança. Pois, no momento em que vai entrando o síndico profissional, as administradoras e até os próprios síndicos precisam entender melhor como se posicionar diante do condomínio.

Então o que eu vejo na administração de condomínios hoje é que existem alguns pontos que estão mudando o cenário de ter um síndico residente e uma administradora por trás, para agora entrar a figura de síndico profissional não sabendo se posicionar diante disso e o condômino na outra ponta começando a enxergar mais valor no síndico profissional do que na administradora, o que muitas vezes é até uma injustiça, por todo o trabalho que tem uma administradora para fazer a gestão de um condomínio, então o morador passa até a não enxergar os valores agregados da administradora.

Tá gostando da entrevista? Não deixe de conferir também o Guia das Administradoras de Condomínio criado pela equipe do Sindiconet. 

Você tem uma pesquisa de NPS apresentada no Superlógica Next, que avalia a satisfação que diz que os síndicos não estão satisfeitos com as administradoras?

 

JP: Sim, a gente faz pelo Sindiconet um Censo de dois em dois anos com uma pergunta aos síndicos: Como você avalia sua administradora atual?

O interessante é que a gente vê uma mudança de satisfação em relação a esse prestador de serviço. Um dado muito relevante é que em São Paulo, estamos com mais da metade dos síndicos utilizando essa pesquisa chamada de NPS – Net Promoter Score, onde é feito uma pergunta simples e direta e a pessoa precisa responder em uma escala de 1 a 10.

Quando perguntado aos síndícos: Como você avalia sua administradora atual? –  A nota de 51%  dos participante está entre 0 e 6, um índice baixíssimo. E a pesquisa foi levantada para uma amostra de mais de 4.500 entrevistados na cidade de São Paulo, mas no Brasil inteiro esse comportamento se repete.Esse nível de insatisfação alto é um dado que não se via no passado.

Vamos fazer uma atualização para ver se esse índice mudou, mas vemos isso com uma preocupação. Esse condômino mais exigente, essa massa condominial, também não está entendendo essa mudança que está acontecendo no mercado e ela não entende qual é o papel do síndico profissional e qual é o papel da administradora. Esse problema é uma das causas da insatisfação do mercado, pois vivemos um momento de transição.

Todo momento de transição, até as coisas se nivelarem novamente, demora um pouco, mas também por esse motivo é uma época de grandes oportunidades para as administradoras de condomínio. As administradoras que querem sair na frente podem enxergar esse momento de insatisfação para oferecer um atendimento melhor e um serviço diferenciado para surpreender o cliente.

Essa grande mudança tecnológica que estamos passando no mercado, pode ser enxerga de duas formas: buscar oportunidades, entendendo e se envolvendo com as tecnologias (pois muitas delas vieram para somar), ou resistir e receber esse movimento como uma ameaça, o que vai prejudicar sua empresa, ou seja, aceitar as mudanças podem trazer ameaças, mas também muitas oportunidades. Os condôminos na sua maioria, estão abertos às novas oportunidades. Além disso, as administradoras precisam mostrar mais a cara e focar em melhorar o relacionamento com os clientes.   

Conclusões:

  • Gestão de condomínios é cultural variando de região;
  • Os condôminos estão insatisfeitos com as administradoras;
  • Existem dificuldades do condômino em entender o papel do síndico e o papel da administradora;
  • O futuro é positivo para quem ficar de olhos nas oportunidades e nas novas tecnologias.

Gostou do artigo e do nosso podcast? Se precisar entre em contato com o Júlio Paim pelo e-mail julio@sindiconet.com.br ou com a Superlógica pelo relacionamento@superlogica.com. Fique a vontade para deixar seu comentário abaixo. 

 


 

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